- A sindicalização no Brasil caiu de 16,1% em 2012 para 8,4% em 2023, segundo o relatório International Strike Report.
- O país registrou 1.136 greves em 2023, com destaque para mobilizações independentes de trabalhadores.
- As categorias que mais realizaram greves estão ligadas a políticas de cuidado, como professores e profissionais da saúde.
- No setor público, 96% das greves foram lideradas por sindicatos, enquanto no setor privado esse número foi de 72%.
- A pesquisa aponta que a crise do sindicalismo está relacionada à crise da esquerda e ao avanço do neoliberalismo.
O relatório International Strike Report revela que a sindicalização no Brasil caiu de 16,1% em 2012 para 8,4% em 2023. O estudo, que analisa a mobilização trabalhista em 11 países, destaca que o Brasil registrou 1.136 greves em 2023, evidenciando a crescente mobilização independente dos trabalhadores.
Historicamente, os sindicatos foram essenciais para conquistas trabalhistas, como férias remuneradas e direitos básicos. No entanto, desde os anos 1980, sua influência tem diminuído, especialmente após a Reforma Trabalhista de 2017. O fenômeno é observado globalmente, com exceções como o Chile, onde a sindicalização cresceu.
O relatório, elaborado pelo Instituto Internacional de História Social, mostra que as categorias que mais realizam greves no Brasil são as ligadas às políticas de cuidado, como professores e profissionais da saúde. Rodrigo Linhares, do Dieese, afirma que essas mobilizações refletem uma resistência à precarização e às privatizações.
No setor público, 96% das greves foram lideradas por sindicatos, enquanto no setor privado esse número é de 72%. Isso indica uma mobilização significativa fora da estrutura sindical tradicional. O funcionalismo público, especialmente professores, foi responsável por 55% das greves no país.
O Judiciário também desempenha um papel importante nas greves, intervindo em 36% das paralisações do setor público. Em muitos casos, suas decisões podem limitar a militância sindical. Apesar da queda na adesão sindical, a pressão por respostas coletivas persiste, com movimentos como o Vida Além do Trabalho ganhando destaque.
A pesquisa aponta que a crise do sindicalismo está ligada à crise da esquerda e ao avanço do neoliberalismo. Embora o cenário atual seja desafiador, há sinais de que novas mobilizações podem surgir, impulsionadas pela insatisfação com as condições de trabalho e a busca por direitos coletivos.
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