- Em dezembro de 2024, o Congresso de El Salvador reverteu a proibição da mineração metálica, que estava em vigor desde 2017.
- A nova legislação permite que o governo de Nayib Bukele autorize a mineração, atraindo empresas estrangeiras.
- A ambientalista Vidalina Morales, da Associação de Desenvolvimento Econômico e Social (Ades), relatou aumento da movimentação na região de Cabañas, gerando preocupação entre os moradores.
- A Ades e outras organizações estão mobilizadas contra a mineração, e a Igreja Católica apresentou uma petição com 150 mil assinaturas pedindo a revogação da nova lei.
- A empresa Citalá Resources, formada por veteranos do setor, já iniciou o cadastro para exploração de metais, apesar de especialistas questionarem a viabilidade dos projetos devido à crise hídrica no país.
Em dezembro de 2024, o Congresso de El Salvador reverteu a proibição da mineração metálica, que vigorava desde 2017. A nova legislação permite que o governo de Nayib Bukele autorize a atividade, atraindo empresas estrangeiras, enquanto a resistência local se intensifica.
A decisão marca uma mudança significativa após anos de luta contra a mineração, motivada por preocupações ambientais e sociais. A nova lei estabelece que apenas o governo pode autorizar a mineração, podendo delegar essa função a instituições específicas ou empresas estatais. A ambientalista Vidalina Morales, da Associação de Desenvolvimento Econômico e Social (Ades), relata um aumento na movimentação na região de Cabañas, com a presença de veículos desconhecidos, gerando preocupação entre os moradores.
Desde a aprovação da nova lei, a Ades e outras organizações têm se mobilizado contra a mineração. A Igreja Católica, por exemplo, apresentou uma petição com 150 mil assinaturas pedindo a revogação da nova legislação. Apesar da pressão, o governo não alterou seus planos, e mineradoras já iniciaram o cadastro para exploração de metais no país.
Interesse de Empresas Estrangeiras
A nova legislação despertou o interesse de empresas de mineração, incluindo a Citalá Resources, formada por veteranos do setor com um histórico controverso na América Central. A empresa, registrada em fevereiro de 2025, é ligada a Simon Ridgway e Pedro Rafael García Varela, ambos com experiência em projetos de mineração na região. A legislação também oferece incentivos fiscais, como isenção de impostos por até 20 anos.
Entretanto, especialistas questionam a viabilidade de novos projetos de mineração em El Salvador. O pesquisador Andrés McKinley alerta para a crise hídrica no país, que já enfrenta estresse hídrico. Além disso, estudos anteriores indicam que as reservas de ouro são insuficientes para justificar a mineração em larga escala.
Resistência e Repressão
A Ades continua sua luta contra a mineração, realizando manifestações e estudos sobre os impactos da atividade. Recentemente, cinco de seus membros foram presos, o que a organização considera uma retaliação por sua resistência. O governo de Bukele, que implementou um estado de emergência em 2022, tem sido acusado de repressão a ativistas e organizações da sociedade civil.
Com a nova legislação, o cenário de mineração em El Salvador se torna cada vez mais complexo, com interesses econômicos em conflito com a proteção ambiental e os direitos humanos. O futuro da mineração no país permanece incerto, à medida que a resistência local se fortalece diante das mudanças legais.
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