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Torre Pacheco vive clima de tensão com relatos de “caceria” a imigrantes

Torre Pacheco enfrenta violência crescente entre grupos ultradireitistas e jovens imigrantes, alarmando a comunidade local.

Um dispositivo da Polícia Local e da Guarda Civil controla os acessos ao bairro de San Antonio este domingo. (Foto: Alfonso Durán)
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  • Moradores do bairro de San Antonio, em Torre Pacheco, enfrentam clima de tensão após ataques de grupos ultradireitistas a jovens de origem magrebina.
  • Os confrontos, iniciados na última sexta-feira, resultaram em feridos e no fechamento de comércios locais.
  • Na noite de sábado, homens armados invadiram o bairro em busca de imigrantes, causando destruição e pânico.
  • Líderes comunitários tentam apaziguar a situação, mas provocação de grupos ultradireitistas leva a tentativas de linchamento.
  • O prefeito Pedro Ángel Roca reconhece o aumento da criminalidade, enquanto a delegada do Governo na Região de Murcia critica a incitação à violência por partidos como o Vox.

Os moradores do bairro de San Antonio, em Torre Pacheco, vivem um clima de tensão e medo após uma série de ataques coordenados por grupos de ultradireita contra jovens de origem magrebina. Os confrontos, que começaram na última sexta-feira, resultaram em feridos e detidos, levando ao fechamento de comércios locais.

Na noite de sábado, dezenas de homens armados com bastões invadiram o bairro, promovendo o que chamaram de “caceria” de imigrantes. A violência deixou marcas visíveis, como os estilhaços de vidro espalhados pelas ruas. A presença da Guarda Civil, com 75 agentes mobilizados, não foi suficiente para conter a escalada de agressões.

Líderes comunitários e imãs das mesquitas locais tentaram apaziguar os ânimos, convocando uma manifestação para repudiar os ataques. No entanto, a situação se agravou quando jovens imigrantes foram provocados por grupos de ultradireita, resultando em tentativas de linchamento. “Estão vindo de fora para nos provocar,” afirmou Omar, um jovem que vive na região há 20 anos.

Comunidade em Alerta

O clima de insegurança é palpável, com comerciantes como Allal Abbou, proprietário de uma cafeteria, decidindo fechar seus estabelecimentos até que a situação se normalize. “Não vamos abrir até que a paz retorne,” declarou. A comunidade, que historicamente conviveu em harmonia, agora se vê dividida e temerosa.

O aumento da violência é atribuído a um sentimento de descontentamento entre os jovens, muitos dos quais se sentem marginalizados. O absentismo escolar nas áreas predominantemente magrebinas chega a 30%, refletindo a falta de oportunidades. “São jovens perdidos, sem estudo ou trabalho,” disse Paulino Ros, sociólogo da UNED.

Reação das Autoridades

O prefeito Pedro Ángel Roca, do PP, reconhece o aumento da criminalidade, mas nega que haja desatendimento aos jovens. Ele atribui a situação ao crescimento populacional, que aumentou quase 200% nas últimas décadas. A delegada do Governo na Região de Murcia, Mariola Guevara, criticou partidos como o Vox por incitarem a violência e alimentarem o clima de hostilidade.

Enquanto isso, a comunidade continua em estado de alerta, com a presença policial reforçada nas ruas. “Agora não temos segurança,” lamentou Abbou, destacando que a violência afeta a todos, independentemente da origem. A situação em Torre Pacheco se tornou um símbolo do crescente extremismo e da divisão social na Espanha.

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