- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal em 2023.
- O procurador-geral da República, Paulo Gonet, criticou a delação, alegando omissões de “fatos graves” e uma “narrativa seletiva”.
- Gonet sugeriu que Cid pode perder seu posto e patente militar se o Supremo Tribunal Federal (STF) acolher sua posição.
- Cid enfrenta a possibilidade de condenação superior a dois anos, o que o levaria a ser julgado pelo Superior Tribunal Militar (STM).
- A defesa de Cid já expressou indignação em audiência, questionando a veracidade de suas declarações sobre o governo Bolsonaro.
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, enfrenta novos desafios após sua delação premiada com a Polícia Federal em 2023. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, criticou a colaboração de Cid, alegando que ele omitiu “fatos graves” e apresentou uma “narrativa seletiva”. Essa postura pode resultar na perda de seu posto e patente militar, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) acolha a posição da PGR.
Cid havia firmado um acordo que previa perdão judicial ou pena não superior a dois anos, evitando assim a declaração de indignidade que acarretaria a perda de sua patente. Contudo, com a manifestação de Gonet, esse risco volta à tona. O procurador argumentou que a ambiguidade nas declarações de Cid e a superficialidade de seus depoimentos sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022 geram dúvidas sobre sua colaboração efetiva.
Se condenado a mais de dois anos, Cid poderá ser julgado pelo Superior Tribunal Militar (STM), que decidirá sobre sua dignidade para permanecer nas Forças Armadas. A avaliação de integrantes da cúpula militar sugere que é mais fácil proteger generais do que um tenente-coronel delator. A defesa de Cid, que se manifestará nas alegações finais em breve, já expressou indignação em audiência recente, onde o advogado de outro réu questionou a veracidade de suas declarações sobre reuniões do governo Bolsonaro.
A situação de Cid se complica ainda mais, pois as penas atribuídas a ele somam 43 anos, o que torna improvável que ele receba a redução máxima de dois terços. A análise da PGR destaca a necessidade de uma “criteriosa ponderação” sobre os benefícios legais, enfatizando que a colaboração deve ser integral e pautada pela boa-fé, características que, segundo Gonet, não estão evidentes no caso de Cid.
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