- Em 1 de julho, Donald Trump fechou a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
- A decisão pode resultar na perda de 14 milhões de vidas até 2030, incluindo 4,5 milhões de crianças menores de cinco anos.
- Trump justificou a medida com o lema “America First”, priorizando interesses internos sobre a ajuda internacional.
- Enquanto isso, países europeus se comprometeram a destinar 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para ajuda oficial, com apenas Noruega e Luxemburgo cumprindo essa meta atualmente.
- Críticas à ajuda internacional destacam que ela pode reforçar uma mentalidade colonial e não resolve problemas estruturais nos países em desenvolvimento.
Donald Trump fecha a USAID e gera preocupações sobre perda de vidas
Em 1 de julho, Donald Trump efetivou o fechamento da USAID, programa de ajuda ao desenvolvimento dos Estados Unidos. Essa decisão, já prevista desde seu primeiro mandato, pode resultar na perda de 14 milhões de vidas até 2030, incluindo 4,5 milhões de crianças menores de cinco anos. A justificativa de Trump para essa medida se baseia no lema “America First”, que prioriza interesses internos em detrimento da ajuda internacional.
Enquanto isso, a Europa se posiciona como líder moral em ajuda humanitária. Durante a IV Conferência de Financiamento para o Desenvolvimento da ONU, realizada em Sevilla, países europeus reafirmaram o compromisso de destinar 0,7% do PIB para ajuda oficial. Atualmente, apenas Noruega e Luxemburgo cumprem essa meta, enquanto a Espanha, que chegou a destinar 0,45% do PIB, atualmente contribui com apenas 0,24%.
Críticas à lógica da ajuda internacional surgem em meio a essa discussão. Especialistas como Dambisa Moyo e William Easterly argumentam que a abordagem tradicional reforça uma mentalidade colonial e não resolve os problemas estruturais enfrentados pelos países em desenvolvimento. Dados de um estudo de 2018 indicam que, entre 1970 e 2015, 1,4 trilhões de dólares saíram de 30 países africanos devido a fluxos financeiros ilícitos, enquanto receberam apenas 992 bilhões de dólares em ajuda.
A situação é ainda mais complexa quando se considera que muitos países africanos são credores líquidos de nações ocidentais. A ajuda recebida não é suficiente para compensar as perdas financeiras causadas por práticas como a evasão fiscal e a corrupção. Exemplos como o da multinacional Glencore, que pagou subornos na República Democrática do Congo, ilustram como a exploração continua a prejudicar esses países.
As discussões sobre ajuda ao desenvolvimento frequentemente ignoram a necessidade de corrigir desequilíbrios estruturais. A Ronda de Doha, lançada em 2001, buscou integrar países pobres ao comércio global, mas os países ricos não reduziram seus subsídios, prejudicando ainda mais os pequenos produtores do Sul. A falta de ação efetiva em cúpulas internacionais levanta questões sobre a verdadeira intenção por trás da ajuda humanitária.
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