- Em 2024, o Brasil registrou 6.243 mortes por intervenção policial, uma redução de 3,1% em relação a 2023.
- Dez estados apresentaram aumento nas ocorrências, com destaque para São Paulo e Minas Gerais.
- Amapá tem a maior taxa de letalidade policial, com 17,1 homicídios a cada 100 mil habitantes, seguido pela Bahia com 10,5 homicídios.
- São Paulo teve um aumento de 60,9% nas mortes, totalizando 813 casos, enquanto Minas Gerais cresceu 45,5%, passando de 137 para 200 casos.
- Especialistas criticam a alta letalidade policial, afirmando que não necessariamente resulta em combate mais eficaz ao crime.
Em 2024, o Brasil registrou 6.243 mortes por intervenção policial, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Essa cifra representa uma redução de 3,1% em relação a 2023, mas 10 estados apresentaram aumento nas ocorrências, com destaque para São Paulo e Minas Gerais.
O Amapá continua sendo o estado com a maior taxa de letalidade policial, com 17,1 homicídios a cada 100 mil habitantes. Na Bahia, essa taxa é de 10,5 homicídios. Em ambos os estados, uma proporção alarmante das mortes violentas é atribuída a ações policiais, refletindo a estratégia de combate ao tráfico de drogas. No Amapá, um a cada três homicídios foi cometido por policiais em 2024, enquanto na Bahia, a proporção foi de um em cada quatro.
Aumento em Estados Chave
São Paulo registrou um aumento de 60,9% nas mortes por intervenção policial, totalizando 813 ocorrências em 2024. Minas Gerais também viu um crescimento significativo de 45,5%, passando de 137 para 200 casos. David Marques, do FBSP, aponta que esses números são impulsionados por uma política de segurança que prioriza a letalidade como um indicador de sucesso.
Em algumas cidades, as mortes por intervenção policial representaram mais da metade de todas as mortes violentas. Em Itabaiana (SE), 75,6% das mortes violentas foram causadas por ações policiais. Santos e São Vicente, no litoral paulista, também enfrentam uma situação crítica, com 66,1% das mortes violentas atribuídas à polícia.
Críticas e Consequências
A letalidade policial continua a ser um tema polêmico. Especialistas afirmam que a alta letalidade não resulta necessariamente em um combate mais eficaz ao crime. O presidente do FBSP, Renato Sérgio de Lima, destaca que a polícia deve ser parte da solução e não do problema. Recentes casos de abusos levantaram questões sobre a preparação e a conduta das forças de segurança.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reconheceu o impacto de seu discurso na alta de mortes e prometeu aprimorar os protocolos de atuação policial. Contudo, especialistas afirmam que mudanças estruturais são necessárias para garantir a segurança da população e a integridade das operações policiais.
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