- O Censo 2022 indicou uma redução da população com deficiência no Brasil de 23,9% para 7,3%.
- Essa mudança representa cerca de 30 milhões de pessoas e levanta questões sobre a metodologia da pesquisa.
- O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirmou que a comparação entre os censos não é válida devido a alterações nos questionários.
- A maioria das residências recebeu um questionário básico, que não incluía perguntas sobre deficiência, resultando em dados incompletos.
- A falta de informações precisas dificulta a implementação de políticas públicas para a inclusão e acessibilidade das pessoas com deficiência.
A invisibilidade social das pessoas com deficiência no Brasil se intensificou com os dados do Censo 2022, que indicaram uma redução drástica de 23,9% para 7,3% da população com deficiência. Essa mudança, que representa cerca de 30 milhões de pessoas, levanta sérias preocupações sobre a metodologia utilizada na pesquisa.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) justificou que a comparação entre os censos de 2010 e 2022 não é válida devido a alterações nas metodologias. O novo formato incluiu dois tipos de questionários: um básico, que não abordava a deficiência, e um ampliado, que permitia respostas sobre o tema. A maioria das residências recebeu o questionário básico, resultando em um apagamento de dados cruciais.
Questões Metodológicas
A ausência de perguntas sobre deficiência no questionário básico levanta dúvidas sobre a precisão dos dados. É possível afirmar que não houve subnotificação? A crescente identificação de pessoas autistas e com outras neurodivergências sugere que o número real de pessoas com deficiência pode ser maior do que o indicado.
A realização do Censo 2022 ocorreu apenas após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), evidenciando a urgência de uma reavaliação da coleta de dados. Sem informações precisas, o Estado se desobriga de implementar políticas públicas e serviços essenciais para a inclusão e acessibilidade.
Impactos Sociais
A redução drástica nos índices de pessoas com deficiência não contribui para a inclusão social nem para a diminuição das injustiças. A invisibilidade resulta em milhões de pessoas condenadas à miséria, fora do alcance de políticas que deveriam protegê-las. O apagamento social perpetua o capacitismo estrutural, onde a sociedade ignora as necessidades e direitos das pessoas com deficiência.
A luta por visibilidade e direitos deve ser uma prioridade, pois a negação da existência de milhões de brasileiros não pode ser aceita. O desafio é garantir que todos sejam reconhecidos e que suas necessidades sejam atendidas, promovendo uma sociedade mais justa e inclusiva.
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