- O tenente-coronel Bernardo Corrêa Neto depôs no Supremo Tribunal Federal (STF) em 28 de agosto de 2023.
- Ele descreveu uma reunião com militares como um “encontro de amigos” e negou qualquer planejamento de golpe.
- Corrêa Neto afirmou que o encontro de 2022, que pressionou o então comandante do Exército, general Freire Gomes, foi espontâneo e não conspiratório.
- A Procuradoria-Geral da República (PGR) o acusa de ser o idealizador da reunião com as Forças Especiais, mas ele defendeu que não havia motivos específicos para a participação dos militares.
- O STF continua a ouvir outros membros do núcleo 3 da investigação, que envolve nove militares e um policial federal, todos acusados de tentativas de desestabilização política após as eleições de 2022.
O tenente-coronel Bernardo Corrêa Neto, réu em investigações sobre um suposto complô golpista para manter Jair Bolsonaro no poder, depôs no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 28 de agosto de 2023. Durante seu interrogatório, ele descreveu uma reunião com militares como um “encontro de amigos”, negando qualquer planejamento de golpe.
Corrêa Neto, que faz parte do núcleo 3 da ação, afirmou que o encontro de 2022, que envolveu a pressão ao então comandante do Exército, general Freire Gomes, ocorreu de forma “espontânea” e não tinha caráter conspiratório. Ele minimizou a importância da “Carta ao comandante do Exército de oficiais superiores da ativa”, que foi utilizada para pressionar Gomes, classificando-a como um “ato de indisciplina”.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) alega que Corrêa Neto foi o “idealizador e responsável por articular” a reunião com as Forças Especiais, conhecidas como “kids pretos”. Mensagens interceptadas indicam que ele sugeriu nomes de militares para o encontro, mas o coronel insistiu que não havia um motivo específico para a participação deles, além de serem “companheiros de forças especiais”.
Detalhes do Depoimento
Durante o depoimento, Corrêa Neto foi questionado sobre suas interações com o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Ele confirmou saber sobre reuniões entre Bolsonaro e o general Estevam Theóphilo, mas negou conhecer os objetivos dessas reuniões. A PGR sustenta que Corrêa Neto mantinha os militares informados sobre o andamento da trama golpista.
Além disso, o coronel se defendeu de acusações relacionadas a mensagens trocadas com outros militares, afirmando que eram apenas “desabafos” e não convocações para ações ilegais. Ele reiterou que nunca apoiou uma ruptura ou golpe de Estado, enfatizando que suas opiniões políticas nunca foram manifestadas publicamente.
O STF continua a ouvir outros membros do núcleo 3, que inclui nove militares e um policial federal, todos acusados de tentativas de desestabilização política após as eleições de 2022. A investigação avança, revelando novos detalhes sobre as ações do grupo.
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