- O tenente-coronel Márcio Nunes Resende Júnior declarou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o silêncio do Exército durante os acampamentos após as eleições de 2022 criou um “vácuo de poder”.
- Ele afirmou que essa ausência de posicionamento contribuiu para a radicalização dos manifestantes que questionavam a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.
- Resende Júnior, com 33 anos de serviço no Exército, considerou a falta de uma posição clara da cúpula militar um erro grave.
- Ele alertou que, se o ex-presidente Jair Bolsonaro tivesse tomado uma ação com base no artigo 142 da Constituição, a situação poderia ter se tornado incontrolável.
- O tenente-coronel é investigado pela Polícia Federal por sua suposta participação em um grupo militar que tentava impedir a posse de Lula, em conluio com aliados de Bolsonaro.
Réu em ação penal relacionada a uma tentativa de golpe, o tenente-coronel Márcio Nunes Resende Júnior afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o silêncio do Exército durante os acampamentos em frente aos quartéis, após as eleições de 2022, gerou um “vácuo de poder”. Esse vazio, segundo ele, contribuiu para a radicalização dos manifestantes que questionavam a legitimidade da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante seu depoimento, Resende Júnior, que serviu ao Exército por 33 anos, destacou que a ausência de uma posição clara da cúpula militar foi um erro grave. Ele mencionou que o clima no acampamento era permeado por discursos de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que alimentava a percepção de que as Forças Armadas poderiam apoiar uma ruptura institucional. “O Exército não estava apoiando. É claro que não. Mas esse silêncio poderia ter consequências ruins,” afirmou.
O tenente-coronel também alertou que, se Bolsonaro tivesse anunciado uma ação com base no artigo 142 da Constituição, a situação poderia ter se tornado incontrolável. Resende Júnior é parte de um grupo de militares investigados pela Polícia Federal, que apura a articulação de um núcleo militar para impedir a posse de Lula. A Procuradoria-Geral da República sustenta que esse grupo estava em conluio com aliados de Bolsonaro para desestabilizar o processo democrático.
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