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Tubarões são servidos em escolas e hospitais, colocando saúde em risco no Brasil

Órgãos públicos compram 5.400 toneladas de carne de tubarão, expondo crianças a toxinas e contribuindo para a sobrepesca.

Carne de tubarão é preparada para distribuição no Ceagesp, em São Paulo, o maior entreposto de alimentos da América Latina (Foto: Philip Jacobson/Mongabay)
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  • Órgãos públicos brasileiros compraram 5.400 toneladas de carne de tubarão, conhecida como cação, para escolas, hospitais e prisões, totalizando R$ 112 milhões desde 2004.
  • A carne de tubarão contém metais pesados, como mercúrio e arsênio, que podem prejudicar a saúde, mas o Ministério da Saúde recomenda seu consumo para crianças pequenas.
  • A sobrepesca de tubarões é alarmante, com uma redução de 71% nas populações entre 1970 e 2018, e várias espécies estão classificadas como criticamente ameaçadas.
  • Funcionários de órgãos governamentais não sabem qual espécie de tubarão está sendo adquirida, dificultando a identificação de espécies ameaçadas.
  • O deputado federal Nilto Tatto propôs uma lei para proibir a compra de carne de tubarão em instituições federais, mas o projeto está parado na Comissão de Meio Ambiente.

Órgãos públicos brasileiros estão adquirindo 5.400 toneladas de carne de tubarão, conhecida como cação, para servir em escolas, hospitais e prisões, segundo uma investigação do site Mongabay. Essas compras, que totalizam R$ 112 milhões, foram realizadas em 542 municípios de dez estados desde 2004, expondo crianças e populações vulneráveis a toxinas perigosas.

A carne de tubarão é rica em metais pesados como mercúrio e arsênio, que podem causar sérios problemas de saúde. Apesar disso, o Ministério da Saúde recomenda o consumo de cação para crianças pequenas, sem mencionar os riscos associados. A rotulagem confusa faz com que muitos brasileiros não saibam qual espécie estão consumindo, uma vez que a carne é vendida genericamente como cação.

A sobrepesca de tubarões é uma preocupação crescente, com as populações em alto mar diminuindo em 71% entre 1970 e 2018. A União Internacional para a Conservação da Natureza classifica várias espécies de tubarões como criticamente ameaçadas. Apesar das advertências sobre a sustentabilidade, a indústria argumenta que depende principalmente do tubarão-azul, que é mais fértil. No entanto, especialistas afirmam que a pesca em larga escala é insustentável.

Funcionários de órgãos governamentais admitiram não saber qual espécie de tubarão estava sendo adquirida. A falta de especificidade nas licitações dificulta a identificação de espécies ameaçadas. Nathalie Gil, da Sea Shepherd Brasil, critica a irresponsabilidade dos órgãos públicos em servir carne potencialmente contaminada a crianças.

O deputado federal Nilto Tatto propôs uma lei para proibir a compra de carne de tubarão em instituições federais, mas o projeto está parado na Comissão de Meio Ambiente. Especialistas pedem uma moratória nas compras até que as populações de tubarões se recuperem. A situação destaca a necessidade urgente de revisar as políticas de alimentação institucional no Brasil.

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