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Docentes negros da USP criticam ineficácia da política de cotas na universidade

Coletivo de Docentes Negras e Negros da USP pede reserva de 30% das vagas para candidatos PPI e critica a eficácia das cotas atuais

Vista de drone da Praça do Relógio no campus Butantã da USP (Foto: Rubens Chave /Folhapress)
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  • O Coletivo de Docentes Negras e Negros da Universidade de São Paulo (USP) criticou a política de cotas da instituição, considerando-a ineficaz.
  • A crítica foi divulgada em nota pública no dia quatro de setembro, após questionamentos da Defensoria Pública de São Paulo sobre a Resolução nº 8434/2023.
  • A análise da Rede Liberdade e da Ação Educativa mostrou que a proporção de docentes negros aumentou de 2,64% para 3,96% entre 2022 e 2025, enquanto a presença de docentes indígenas permanece em apenas quatro.
  • O coletivo apontou problemas na bonificação para concursos e na falta de provas anônimas, que podem favorecer vieses racistas.
  • Os docentes propuseram a reserva de 30% das vagas para candidatos pretos, pardos e indígenas (PPI) e a criação de metas para equilibrar a composição racial do corpo docente.

O Coletivo de Docentes Negras e Negros da USP criticou a política de cotas da universidade, afirmando que sua eficácia é inócua. A declaração foi feita em uma nota pública divulgada nesta segunda-feira, 4 de setembro, após a Defensoria Pública de São Paulo questionar a efetividade da Resolução nº 8434/2023, que estabelece diretrizes para ações afirmativas em concursos.

A análise técnica da Rede Liberdade e da Ação Educativa, que embasou a ação da Defensoria, revela que a proporção de docentes negros na USP aumentou de 2,64% para 3,96% entre 2022 e 2025. A presença de docentes indígenas, no entanto, permanece estagnada, com apenas quatro entre cinco mil professores. O coletivo argumenta que os resultados refletem um modelo que ignora o racismo institucional e falha em modificar os mecanismos de seleção.

Os docentes criticam a bonificação para concursos com menos de três vagas, que, segundo eles, favorece a escolha por indicação da banca, não pela nota. Além disso, a falta de provas anônimas abre espaço para vieses racistas. O grupo também destaca a ausência de metas e prazos para equilibrar a composição racial do corpo docente com a população paulista, que conta com 40% de pessoas negras.

A reitoria da USP defende a resolução com base no número absoluto de contratações de docentes PPI (pretos, pardos e indígenas), que totaliza 84 de um total de 702 entre 2022 e 2024. No entanto, o coletivo alerta que essas vagas só voltarão a concurso em 20 ou 30 anos, considerando a oportunidade perdida.

Em resposta, os docentes propõem a reserva de 30% das vagas para candidatos PPI, alinhando-se à nova Lei de Cotas, além de estabelecer metas com prazos para cada faculdade. O coletivo conclui que é um direito da população PPI participar dos espaços de poder na sociedade paulista e brasileira. A USP não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

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