- A 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas ocorreu em Brasília entre 4 e 7 de outubro, reunindo cinco mil participantes.
- O evento discutiu o Projeto de Lei 2.159/21, que pode comprometer a proteção ambiental, e a formação de um grupo interministerial para apoiar as mulheres indígenas.
- A matriarca Pangroti Kayapó e sua neta viajaram mais de 32 horas de São Félix do Xingu (AM) e destacaram os impactos do garimpo ilegal em suas terras.
- Ministras de Estado, incluindo Sônia Guajajara e Marina Silva, abordaram a necessidade de políticas públicas para proteger as mulheres indígenas e suas terras.
- O evento serviu como um espaço para compartilhar experiências e reafirmar a luta pela preservação das culturas indígenas.
Mulheres indígenas se reúnem em Brasília para Conferência Nacional e discutem desafios enfrentados
A 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, realizada em Brasília, reuniu cerca de cinco mil participantes entre os dias 4 e 7 de outubro. O evento, que antecede a IV Marcha das Mulheres Indígenas, abordou questões críticas, como o PL 2.159/21, que pode comprometer a proteção ambiental, e a criação de um grupo interministerial para fortalecer a defesa das mulheres indígenas.
A matriarca Pangroti Kayapó, de 60 anos, e sua neta Nhaikapep, de 22, viajaram mais de 32 horas de São Félix do Xingu (AM) até Brasília. Elas destacaram a importância da conferência como um espaço para denunciar os impactos do garimpo ilegal em suas terras. Nhaikapep traduziu o sentimento da avó: “Pedimos proteção para nós, para nosso ambiente e nossa cultura”. A contaminação dos rios Fresco, Iriri e Xingu por metais pesados foi um dos pontos críticos levantados.
Durante a abertura, cinco ministras de Estado, incluindo Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Marina Silva (Meio Ambiente), discutiram políticas de proteção às mulheres indígenas. Guajajara alertou que o PL 2.159/21, que facilita o licenciamento ambiental, pode fragilizar a luta indígena. “Ainda não aceitaram a nossa presença”, afirmou, ressaltando a necessidade de políticas públicas eficazes.
A ministra Marina Silva enfatizou que as mulheres indígenas são as mais afetadas pelas mudanças climáticas e pela degradação ambiental. Ela destacou que o governo federal tem atuado na desintrusão de terras indígenas invadidas, mas reconheceu que os desafios são imensos. “Aquelas que menos destruíram são as mais prejudicadas”, afirmou.
A conferência também abordou a necessidade de fortalecer as políticas de proteção no planejamento orçamentário. Joênia Wapichana, presidente da Funai, pediu um “basta” à violência contra as mulheres indígenas. O evento se tornou um espaço vital para que as participantes compartilhassem suas histórias e desafios, reafirmando a luta pela preservação de suas culturas e modos de vida.
Entre na conversa da comunidade