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Negociações com Donald Trump são possíveis, afirma cientista político

Lula reafirma a defesa da soberania nacional e busca negociar tarifas com os EUA para evitar concessões prejudiciais ao Brasil

Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com a imprensa na Casa Branca (Foto: Brendan SMIALOWSKI / AFP)
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  • O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que a interferência dos Estados Unidos no Judiciário brasileiro é “inaceitável”.
  • Lula enfatizou a importância da soberania nacional nas relações internacionais.
  • O cientista político Renato Galeno, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-RJ), apoiou essa posição e destacou que não deve haver concessões em questões de soberania.
  • Galeno sugeriu que o Brasil identifique setores da economia dos EUA que seriam afetados por tarifas, buscando negociar exceções sem comprometer sua autonomia.
  • Ele lembrou um episódio anterior em que o Brasil retaliou os EUA no contencioso do algodão na Organização Mundial do Comércio (OMC), ressaltando que o foco atual deve ser na ampliação da lista de exceções.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que é “inaceitável” a interferência dos Estados Unidos no Judiciário brasileiro, destacando a importância da soberania nacional. O cientista político Renato Galeno, coordenador do curso de Relações Internacionais do Ibmec-RJ, endossa essa posição, afirmando que não há espaço para negociações quando a soberania está em jogo.

Galeno sugere que o Brasil deve focar em identificar setores da economia dos EUA que seriam impactados por tarifas, buscando negociar exceções sem comprometer sua autonomia. Ele ressalta que, ao contrário de muitos parceiros comerciais dos EUA, o Brasil apresenta uma relação deficitária, o que limita as concessões. Portanto, a estratégia deve ser a identificação de “onde dói” nos EUA, visando criar uma pressão interna que favoreça o Brasil.

O cientista político recorda um episódio anterior, quando o Brasil retaliou os EUA no contencioso do algodão na Organização Mundial do Comércio (OMC). Naquela ocasião, o Brasil escolheu produtos variados para sobretaxar, espalhando os efeitos negativos por diferentes setores da economia americana. Essa abordagem gerou uma pressão política que levou os EUA a recuarem. No entanto, Galeno destaca que, neste momento, o foco deve ser na ampliação da lista de exceções, não em retaliações.

Ele também observa que a relação entre Donald Trump e o bolsonarismo não é tão sólida a ponto de impedir que Trump priorize seus próprios interesses. Para Galeno, a postura do governo brasileiro deve ser firme em defesa da soberania, evitando concessões que possam levar a novas pressões. Ele critica as práticas mercantilistas de Trump, que, segundo ele, refletem uma abordagem comercial ultrapassada, onde o superávit global é mais importante que déficits bilaterais.

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