- A Microsoft apoia a Unidade 8200 do Exército de Israel em um projeto de vigilância que armazena dados, incluindo chamadas telefônicas, em servidores na Europa.
- A parceria foi estabelecida após um encontro entre o presidente da Microsoft, Satya Nadella, e o comandante da Unidade 8200, Yossi Sariel, em Seattle, no final de 2021.
- A Unidade 8200 planejava armazenar até um milhão de chamadas por hora usando a plataforma de nuvem Azure da Microsoft.
- Informações obtidas por meio desse sistema foram utilizadas para planejar ataques aéreos em Gaza, onde muitas vítimas são civis.
- Após os ataques do Hamas em outubro de 2023, a eficácia da vigilância foi questionada, e documentos internos indicam que 11.500 terabytes de dados militares estavam armazenados no Azure.
A Microsoft está envolvida em um projeto de vigilância em larga escala que apoia a Unidade 8200 do Exército de Israel, conforme revelado por uma investigação do The Guardian. Desde 2022, a empresa armazena dados de vigilância, incluindo chamadas telefônicas, em servidores na Europa, ampliando a capacidade de espionagem sobre os palestinos.
A parceria foi estabelecida após um encontro entre o presidente da Microsoft, Satya Nadella, e o comandante da Unidade 8200, Yossi Sariel, em Seattle, no final de 2021. A Unidade 8200 planejava armazenar até um milhão de chamadas por hora, utilizando a plataforma de nuvem Azure da Microsoft. Embora a Microsoft tenha afirmado que Nadella não tinha conhecimento do tipo de dados armazenados, documentos vazados e entrevistas com fontes indicam que a empresa sabia que os dados incluíam comunicações cotidianas de palestinos.
Impactos da Vigilância
Fontes da Unidade 8200 relataram que as informações obtidas por meio desse sistema foram utilizadas para planejar ataques aéreos em Gaza, onde mais de 60 mil pessoas já morreram, a maioria civis. O foco inicial da vigilância era a Cisjordânia, onde cerca de três milhões de palestinos vivem sob ocupação militar. As informações armazenadas foram frequentemente usadas para prender ou eliminar indivíduos, mesmo sem justificativas claras.
A Microsoft, sob pressão de funcionários e investidores, defendeu sua atuação como uma medida de segurança cibernética, afirmando que não tinha conhecimento da vigilância de civis. No entanto, a investigação sugere que a parceria facilitou a coleta de dados em massa, permitindo que um número maior de civis tivesse suas comunicações monitoradas.
Críticas e Consequências
Após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultaram em cerca de 1,2 mil mortes em Israel, a eficácia da vigilância foi questionada. Sariel, que liderou a Unidade 8200 até 2024, enfrentou críticas por priorizar tecnologias modernas em detrimento de métodos tradicionais de inteligência. Documentos internos indicam que, até julho de 2023, 11.500 terabytes de dados militares estavam armazenados no Azure, levantando preocupações sobre a privacidade e a ética da vigilância em massa.
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