- A rodovia Fernão Dias, na zona norte de São Paulo, registrou 21 acidentes fatais em um trecho crítico nos últimos nove anos, com alta incidência entre pedestres e motociclistas.
- O trecho no Km 60, no Parque Edu Chaves, é conhecido pela velocidade elevada dos veículos, que podem chegar a 110 km/h.
- Dados do sistema Infosiga indicam que 58,6% das 145 mortes na área urbana da rodovia foram de pedestres entre 2015 e 2025.
- A concessionária Arteris informou que existem 26 passarelas na rodovia, mas a utilização é baixa, e especialistas sugerem a criação de vias específicas para travessias.
- O Ministério Público de São Paulo investiga o aumento de mortes de motociclistas, que subiram 20,6% em relação ao ano anterior.
Moradores da rodovia Fernão Dias, na zona norte de São Paulo, enfrentam uma realidade alarmante. Nos últimos nove anos, 21 acidentes fatais foram registrados em um trecho crítico, especialmente entre pedestres e motociclistas. A área, próxima a moradias irregulares, se tornou um dos pontos mais perigosos da cidade.
Gildete Araújo, 72, comerciante local, recorda um acidente trágico que presenciou. “Corri para ajudar um homem atropelado ao tentar atravessar entre os carros”, relata. O trecho, localizado no quilômetro 60, no Parque Edu Chaves, é marcado por uma alta velocidade de veículos, que podem atingir até 110 km/h. A combinação de tráfego intenso e a presença de favelas contribui para a alta incidência de acidentes.
Dados do sistema Infosiga mostram que, entre 2015 e 2025, a rodovia Fernão Dias se destaca como um dos locais com mais mortes no trânsito. Cerca de 58,6% das 145 mortes registradas na área urbana da rodovia foram de pedestres. O especialista em urbanismo social, Sérgio Avelleda, aponta que a falta de gestão integrada entre os diferentes níveis de governo agrava a situação. “A prefeitura não tem controle sobre a rodovia, que é uma concessão federal”, explica.
Apesar de uma leve queda no número total de mortes no trânsito na cidade, com 483 vítimas no primeiro semestre de 2023, as autoridades ainda não apresentaram soluções efetivas para os pontos críticos. A Secretaria de Mobilidade e Trânsito e a Companhia de Engenharia de Tráfego afirmam ter implementado áreas de velocidade reduzida e mais de 10.000 faixas de pedestres. No entanto, a realidade nas ruas mostra que muitos moradores ainda se arriscam ao atravessar a rodovia.
A concessionária Arteris, responsável pela Fernão Dias, menciona a existência de 26 passarelas no trecho, mas a utilização delas é baixa. Avelleda critica a eficácia das passarelas, que não atendem às necessidades dos pedestres. Ele sugere que, para garantir a segurança, seria necessário criar vias específicas para travessias.
Além da Fernão Dias, trechos das rodovias Bandeirantes e Anhanguera também figuram entre os locais com mais mortes. O Ministério Público de São Paulo investiga o aumento das mortes de motociclistas, que cresceram 20,6% em comparação ao ano anterior. A situação exige uma resposta urgente das autoridades para garantir a segurança dos cidadãos que vivem e transitam nas proximidades dessas rodovias.
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