- O Brasil enfrenta uma crise tarifária com os Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
- O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, criticou a postura de “auto-humilhação” do Brasil e defendeu a manutenção da dignidade do país.
- Amorim destacou que as exigências de Trump são “inaceitáveis” e que a comunicação entre o governo brasileiro e Washington não está fluindo bem.
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca apoio entre os líderes do Brics, tendo se comunicado com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, o presidente russo Vladimir Putin e o premiê chinês Xi Jinping.
- O objetivo é discutir uma resposta conjunta à tarifa imposta por Trump, com foco na troca de experiências e na defesa do multilateralismo.
BRASÍLIA – O Brasil enfrenta uma crise tarifária com os Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, criticou a postura de “auto-humilhação” do Brasil em relação a essa situação. Em entrevista ao programa Roda Viva, Amorim afirmou que essa atitude não é correta e que o país deve manter sua dignidade.
Amorim destacou que as exigências de Trump são “inaceitáveis de propósito”, sugerindo que há uma intenção de agravar as tensões. Ele também mencionou que o governo brasileiro está se preparando para possíveis desdobramentos, embora não acredite que os EUA aplicarão a sobretaxa. O assessor criticou a mentalidade de dependência que, segundo ele, permeia a sociedade brasileira, afirmando que o país não deve se curvar às pressões externas.
Comunicação com Washington
O assessor revelou que a comunicação entre o governo brasileiro e Washington não está fluindo bem. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou que não há facilidade para contatar os responsáveis pelas decisões nos EUA. Amorim afirmou que, apesar de os canais de comunicação estarem abertos do lado brasileiro, a situação é complexa e desafiadora.
Amorim também mencionou que a crise atual é a mais complicada que já enfrentou em sua carreira diplomática de seis décadas. Ele ressaltou a necessidade de os países do Brics aumentarem o comércio em moedas locais, reduzindo a dependência do dólar, um processo que considera inevitável.
Ações do Brasil no Brics
Desde a implementação da tarifa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem buscado apoio entre os líderes do Brics. Ele já se comunicou com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente russo, Vladimir Putin, além de ter conversado com o premiê chinês, Xi Jinping. O objetivo é discutir uma resposta conjunta ao tarifaço imposto por Trump, embora Amorim tenha enfatizado que o Brasil não busca uma ação em bloco, mas sim a troca de experiências e a defesa do multilateralismo.
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