- A Câmara dos Deputados tem apenas 18% de representação feminina, com apenas 12 das 100 figuras mais influentes no biênio 2025-2026 sendo mulheres.
- O Índice de Influência Parlamentar (IFI) foi elaborado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
- As pontuações das mulheres variam de 7,2 a 1,7, enquanto os três primeiros colocados são homens do Centrão: Hugo Motta, Arthur Lira e Aguinaldo Ribeiro.
- A diversidade partidária é limitada, com PL e PSOL tendo três representantes cada, e apenas duas deputadas negras e uma indígena na Câmara.
- O IFI destaca a importância de garantir que as mulheres ocupem cargos decisivos para influenciar a agenda legislativa.
O poder na Câmara dos Deputados permanece majoritariamente masculino, com um levantamento recente revelando que apenas 12 das 100 figuras mais influentes no biênio 2025-2026 são mulheres. Essa estatística é alarmante, considerando que a bancada feminina ocupa apenas 18% das cadeiras na Casa.
Os dados são parte do Índice de Influência Parlamentar (IFI), elaborado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem) em colaboração com o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB). O índice avalia a influência dos deputados com base em cargos estratégicos e relatorias de projetos, atribuindo uma pontuação que varia de 0 a 10.
Entre as 12 mulheres que figuram no Top 100, suas pontuações variam de 7,2 a 1,7, refletindo diferentes níveis de acesso a cargos de influência. Os três primeiros colocados são homens: Hugo Motta, Arthur Lira e Aguinaldo Ribeiro, todos do Centrão, que detém a maior parte do poder na Câmara. Apenas três mulheres, Caroline de Toni, Laura Carneiro e Bia Kicis, estão entre os 20 primeiros.
Diversidade e Representação
A presença feminina na Câmara é mais plural em termos partidários. PL e PSOL têm três representantes cada, enquanto outros partidos como Novo, PCdoB, PDT, PSD, PT e União Brasil contam com uma deputada cada. A diversidade racial é limitada, com apenas Talíria Petrone e Benedita da Silva como representantes negras, e Célia Xakriabá como a única indígena.
O IFI se destaca por não se basear apenas na quantidade de projetos apresentados ou na presença em plenário, mas sim nos mecanismos de poder que realmente influenciam a política legislativa. Para os pesquisadores, é crucial que as mulheres não apenas aumentem em número, mas também ocupem posições decisivas que possam impactar a agenda legislativa.
A pesquisadora Maiane Bittencourt enfatiza que o índice revela uma dimensão frequentemente invisível da política: quem realmente tem acesso aos mecanismos decisórios. O relatório conclui que, para reduzir a desigualdade de gênero, é essencial garantir que as mulheres ocupem funções que possam influenciar o ritmo e a pauta das votações na Câmara.
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