- Rodrigo Paz, senador e economista, obteve 32,1% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais na Bolívia, realizado em 17 de setembro.
- Jorge Quiroga, ex-presidente, ficou em segundo lugar com 26,8%.
- O segundo turno está marcado para 19 de outubro.
- A esquerda, representada por Andrónico Rodríguez do Movimento ao Socialismo (MAS), recebeu apenas 8,2% dos votos.
- Paz propõe uma “Agenda 50/50” para descentralizar o orçamento e aumentar investimentos em energia limpa.
Rodrigo Paz, senador e economista de 57 anos, surpreendeu ao conquistar 32,1% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais na Bolívia, realizado no último domingo (17). Ele lidera a disputa, enquanto Jorge Quiroga, ex-presidente, ficou em segundo lugar com 26,8%. O segundo turno está agendado para 19 de outubro.
A vitória de Paz, que não era esperada por sua equipe de campanha, foi celebrada em um discurso improvisado em uma praça de La Paz. O candidato, que é filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, já foi prefeito de Tarija e agora busca uma guinada à direita no país, que há duas décadas era dominado pelo MAS (Movimento ao Socialismo). O empresário Samuel Doria Medina, que liderava as pesquisas, terminou em terceiro com 19,9%.
Mudança de Cenário Político
A esquerda, representada por Andrónico Rodríguez, do MAS, obteve apenas 8,2% dos votos, não conseguindo se destacar em nenhum dos departamentos. A insatisfação com o governo do MAS, que perdeu sua primeira eleição em 20 anos, é evidente, com muitos eleitores expressando apoio a candidatos da oposição. Em Tarija, os três principais nomes da oposição somaram 79% dos votos válidos.
Paz propõe uma “Agenda 50/50”, que visa descentralizar o orçamento entre o governo central, os nove departamentos e universidades públicas. Além disso, ele pretende aumentar o investimento em energia limpa e melhorar o acesso ao crédito. Seu vice, Edman Lara, é conhecido por seu discurso contra a corrupção e ganhou notoriedade nas redes sociais.
Desafios até o Segundo Turno
Nos próximos 60 dias, a dupla terá o desafio de convencer os eleitores de que seu plano é viável para enfrentar a crise econômica que afetou a reeleição de Luis Arce. A esquerda, por sua vez, enfrenta a tarefa de evitar que eleitores simpáticos ao evismo não votem nulo, especialmente após a alta abstenção de 19,2% registrada no primeiro turno, com mais de 1,2 milhão de votos invalidados.
Evo Morales, ex-presidente e líder do MAS, celebrou a abstenção como um protesto contra a situação política atual, afirmando que a democracia não deve ser reduzida a um mero processo administrativo. A polarização política na Bolívia se intensifica, e o segundo turno promete ser um momento decisivo para o futuro do país.
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