- A Prefeitura de São Paulo negou o pedido de prorrogação do prazo de desocupação do Teatro de Contêiner, ocupado pela companhia Mungunzá desde 2016.
- O prazo final para desocupação é na próxima quinta-feira, dia 21 de agosto.
- A administração municipal afirma que o espaço é uma ocupação irregular e faz parte de um projeto de revitalização que inclui habitações e áreas de lazer.
- A Guarda Civil Metropolitana realizou ações de despejo, resultando em confrontos com os artistas e cortes de serviços essenciais, como o fornecimento de água.
- O Ministério da Cultura e a Funarte manifestaram apoio ao teatro e pediram uma prorrogação de 180 dias para a desocupação.
A Prefeitura de São Paulo negou, nesta terça-feira (19), o pedido de prorrogação do prazo de desocupação do Teatro de Contêiner, ocupado pela companhia Mungunzá desde 2016. O espaço, localizado na Rua dos Protestantes, é considerado pela gestão municipal como uma ocupação irregular. A última notificação para desocupação foi recebida em 6 de agosto, com prazo final para a próxima quinta-feira (21).
A administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) argumenta que o terreno é público e faz parte de um projeto de revitalização que inclui a construção de habitações e áreas de lazer. Em nota, a prefeitura afirmou que ofereceu duas áreas para a realocação do teatro, sendo uma delas três vezes maior que o espaço atual. Desde o início das negociações, a gestão já destinou R$ 2,5 milhões em apoio às atividades do grupo.
Conflitos e Cortes de Serviços
A situação se agravou com a presença da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que realizou ações de despejo e enfrentou resistência dos artistas. Os integrantes do Mungunzá relataram que o fornecimento de água foi cortado, coincidentemente durante um projeto que recebia crianças de escolas públicas. Marcos Felipe, integrante da companhia, criticou a rapidez da rejeição ao pedido de prorrogação, afirmando que a prefeitura não teve tempo para analisar o mérito da solicitação.
Na noite de terça-feira, a GCM esteve em um prédio anexo ao teatro, utilizado para armazenar materiais de cenários. A ação foi marcada por confrontos, onde os artistas tentaram negociar a permanência no local. A companhia já programou 60 apresentações até o final do ano e busca apoio para continuar suas atividades.
Reações e Mobilização
A situação do Teatro de Contêiner gerou reações de apoio, incluindo manifestações do Ministério da Cultura e da Funarte, que pediram uma prorrogação de 180 dias para a desocupação. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a presidenta da Funarte, Maria Marighella, criticaram a abordagem da GCM e ressaltaram a importância do diálogo em vez da força.
Os artistas planejam realizar um evento cultural, chamado Negras Melodias Show, no dia do prazo final de desocupação, como forma de mobilização e resistência. A situação permanece tensa, com a companhia aguardando desdobramentos e alternativas para a continuidade de suas atividades culturais.
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