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Japão reavalia sua posição sobre armas nucleares diante da incerteza com os EUA

Japão considera rever sua política de não proliferação nuclear devido a tensões regionais e incertezas na aliança com os EUA

EUA dependem do Brasil para fazer carne moída, diz entidade americana que pede fim das tarifas (Foto: Reprodução)
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  • O Japão enfrenta um movimento crescente para revisar sua política de não proliferação nuclear, considerada um tabu até agora.
  • A incerteza na aliança com os Estados Unidos e a expansão dos arsenais da China, Coreia do Norte e Rússia impulsionam essa discussão.
  • Lideranças do Partido Liberal Democrata reconhecem a necessidade de alternativas caso a proteção americana se torne menos confiável.
  • Pesquisas mostram que o apoio à revisão dos “Três Princípios Não Nucleares” aumentou de 20% em 2020 para 41% em março de 2025.
  • A Coreia do Sul também pressiona por um arsenal nuclear próprio, com 75% da população apoiando essa ideia se os EUA retirarem sua proteção nuclear.

O Japão, único país a ter sofrido ataques atômicos, enfrenta um crescente movimento para revisar sua política de não proliferação nuclear, até então considerada um tabu. Esse impulso é impulsionado por incertezas na aliança com os Estados Unidos e pela expansão dos arsenais da China, Coreia do Norte e Rússia.

A inquietação aumentou após a possibilidade de um novo mandato de Donald Trump, que já questionou o compromisso dos EUA com seus aliados. O Japão abriga o maior contingente de tropas americanas fora do território nacional, mas a confiança nesse apoio está em xeque. Lideranças do Partido Liberal Democrata (PLD), que governa o país, reconhecem a necessidade de discutir alternativas, caso a proteção americana se torne menos confiável. A senadora Rui Matsukawa, ex-vice-ministra da Defesa, sugere que um “Plano B” poderia incluir a busca por armas nucleares.

Embora a maioria da população ainda se oponha à ideia, pesquisas recentes indicam um aumento no apoio à revisão dos “Três Princípios Não Nucleares”, estabelecidos em 1967. Uma sondagem de março revelou que 41% dos entrevistados são favoráveis a mudanças, um aumento significativo em relação a 20% em 2020. A memória dos ataques de Hiroshima e Nagasaki parece se dissipar entre os jovens, com mais de 30% dos moradores de Hiroshima entre 18 e 24 anos expressando desinteresse em ouvir relatos de sobreviventes.

Pressão Regional

Na Coreia do Sul, a pressão para desenvolver um arsenal nuclear próprio é ainda mais intensa, com até 75% da população apoiando essa ideia, caso os EUA retirem sua proteção nuclear. Ambos os países são signatários do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), que proíbe o desenvolvimento de armas nucleares.

Analistas consideram o Japão um “Estado limiar” nuclear, com tecnologia avançada e cerca de 45 toneladas de plutônio estocadas. Isso permitiria a construção de um artefato nuclear em poucos meses, caso o governo decidisse romper o TNP. A Coreia do Sul, apesar de operar 26 reatores nucleares, não possui a mesma capacidade de enriquecer urânio, o que tornaria o processo mais demorado.

Pequim já reagiu ao debate sobre a nuclearização, acusando Tóquio e Seul de hipocrisia ao defender um mundo livre de armas nucleares enquanto se apoiam no arsenal dos EUA. O governo chinês, que possui cerca de 600 ogivas nucleares, reafirma sua política de “não primeiro uso”, mas continua a expandir seu arsenal. Especialistas alertam que a simples consideração da nuclearização por Japão e Coreia do Sul pode provocar o conflito que ambos os países buscam evitar.

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