- A eleição presidencial na Bolívia resultou na derrota dos socialistas, que governaram por quase duas décadas.
- O descontentamento popular foi impulsionado pela inflação e pela escassez de combustível.
- Dois candidatos de direita avançaram para o segundo turno, programado para outubro.
- Essa mudança reflete uma tendência de rejeição a governos de esquerda na América Latina, com foco em segurança e economia.
- Em outros países da região, como Chile e Colômbia, candidatos conservadores também estão ganhando força antes das eleições.
SANTIAGO/BOGOTÁ (Reuters) – A recente eleição presidencial na Bolívia resultou na derrota dos socialistas, que estiveram no poder por quase duas décadas. O descontentamento popular, impulsionado pela inflação crescente e pela escassez de combustível, levou dois candidatos de direita a avançarem para o segundo turno, programado para outubro. Essa mudança reflete uma tendência mais ampla de rejeição a governos de esquerda na América Latina.
Desde o início da pandemia, os governos esquerdistas enfrentaram dificuldades nas urnas. A insegurança e a economia emergem como preocupações centrais para os eleitores. Will Freeman, do Council on Foreign Relations, observa que muitos antigos apoiadores da esquerda, agora parte da classe média, estão insatisfeitos com a capacidade dos partidos de esquerda de oferecer soluções para os problemas atuais.
Mudanças na Região
A situação na Bolívia é um microcosmo de uma onda de apoio à direita que se espalha pela América Latina. Em países como Chile, Colômbia e Peru, candidatos conservadores estão ganhando força antes das eleições. No Chile, a corrida presidencial é dominada por candidatos de direita, uma mudança significativa desde os protestos de 2019 contra a desigualdade. O analista político chileno Kenneth Bunker destaca que a criminalidade e a economia são questões que favorecem os conservadores.
Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro, o primeiro líder esquerdista do país, enfrenta desafios significativos. As negociações de paz com grupos armados não avançaram, e a violência aumentou. A segurança se tornou uma preocupação primordial para os eleitores, especialmente após o assassinato do candidato de direita Miguel Uribe.
Cenário Eleitoral
O Peru também se prepara para uma eleição em abril, onde a atual presidente Dina Boluarte, que assumiu após o impeachment de seu antecessor, enfrenta baixos índices de aprovação. Pesquisas indicam que muitos eleitores estão inclinados a votar em branco ou anular seus votos, enquanto candidatos de direita como Rafael López Aliaga e Keiko Fujimori lideram as intenções de voto.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca a reeleição em um cenário marcado por instabilidade em sua aprovação. Questões de segurança e corrupção são vulnerabilidades que podem impactar sua campanha. A dinâmica política na América Latina está em transformação, com a direita ganhando espaço em meio a um contexto de insatisfação popular.
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