- Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil de mil novecentos e cinquenta e seis a mil novecentos e sessenta e um, é o segundo político mais homenageado em logradouros do país, com mil trezentas e trinta e nove menções.
- Ele fica atrás de Getúlio Vargas, que possui duas mil quinhentas e noventa e três homenagens.
- A popularidade de JK reflete a continuidade da mística do desenvolvimentismo associada a ele e a Vargas.
- O levantamento mostra que há pelo menos duas mil menções a logradouros relacionados à ditadura militar no Brasil.
- A lei federal de mil novecentos e setenta e sete proíbe homenagens a pessoas vivas, mas José Sarney é o ex-presidente mais homenageado em vida, com cento e vinte e seis menções.
Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil entre 1956 e 1961, é o segundo político mais homenageado em logradouros do país, com 1.339 menções em ruas, avenidas e praças, conforme levantamento da Folha com dados do IBGE. Ele fica atrás apenas de Getúlio Vargas, que possui 2.593 homenagens. A popularidade de JK reflete a continuidade da mística do desenvolvimentismo associada a ele e a Vargas.
A memória de JK está presente em diversas localidades, desde uma das principais avenidas da zona sul de São Paulo até a ponte que conecta o centro à região leste de Teresina, no Piauí. A denominação de logradouros é geralmente decidida pelas Câmaras de Vereadores, mas o STF reconheceu em 2019 a competência dos prefeitos para essa tarefa. Para rodovias, a responsabilidade é dos deputados e do Executivo.
A socióloga Maria Victoria Benevides destaca que Juscelino era visto como um seguidor de Getúlio, embora não fosse do PTB, partido mais associado ao getulismo. Durante seu governo, JK contou com o apoio do PSD e do PTB, os partidos mais influentes da época. A mística do desenvolvimentismo, iniciada por Vargas, se consolidou durante a gestão de Kubitschek.
Além de Juscelino, o levantamento revela que Floriano Peixoto, presidente de 1891 a 1894, ocupa a terceira posição em homenagens, enquanto o marechal Castello Branco, presidente durante a ditadura militar, é o quarto. Benevides observa que, embora Castello não seja lembrado com o mesmo carinho que JK e Vargas, ele mantém um certo respeito popular.
O levantamento também revela que há pelo menos 2 mil endereços no Brasil com nomes relacionados à ditadura militar. Curiosamente, a lei federal de 1977 proíbe a nomeação de logradouros em homenagem a pessoas vivas, mas essa norma nem sempre é seguida. José Sarney é o ex-presidente mais homenageado em vida, com 126 menções.
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