- Um boletim da Fiocruz revela que 65% dos óbitos entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil são por causas externas, como homicídios e acidentes.
- A taxa de mortalidade nessa faixa etária é de 185,5 para cada 100 mil habitantes, superando a média nacional de 149,7.
- Entre jovens de 20 a 24 anos, a taxa sobe para 218,2, com destaque para mortes por agressões e acidentes de trânsito, sendo 84% das vítimas homens.
- A pesquisa também aponta que a violência física é a mais comum, afetando 47% dos jovens, com maior incidência entre mulheres na faixa de 15 a 19 anos.
- A desigualdade racial é evidente, com 54,1% das vítimas sendo negros e pardos, e jovens com deficiência representam 20,5% das notificações de violência.
Jovens brasileiros enfrentam alarmantes índices de violência, conforme revela um boletim da Fiocruz divulgado nesta segunda-feira, 25. A pesquisa, que utiliza dados do SUS e do IBGE, aponta que 65% dos óbitos entre jovens de 15 a 29 anos são causados por agressões e acidentes. A taxa de mortalidade por causas externas nesta faixa etária é de 185,5 para cada 100 mil habitantes, superando a média nacional de 149,7.
Entre os jovens de 20 a 24 anos, a situação é ainda mais crítica, com uma taxa de 218,2. As principais causas de morte incluem agressões, especialmente por armas de fogo, e acidentes de trânsito, sendo que 84% das vítimas fatais em acidentes são homens, muitos deles motociclistas. A violência policial também contribui, representando 3% dos óbitos.
Violência de Gênero e Vulnerabilidade
A pesquisa destaca que a violência física é a forma mais comum enfrentada por jovens, atingindo 47% das vítimas. A violência psicológica e sexual também são preocupantes, com 15,6% e 7,2%, respectivamente. As mulheres são as mais afetadas, especialmente na faixa etária de 15 a 19 anos, onde o sexismo é a motivação em 23,7% dos casos. Além disso, 34,5% dos homicídios de mulheres ocorrem em casa, enquanto para homens, 57,6% acontecem nas ruas.
Desigualdade Racial e Deficiências
Os dados revelam que 54,1% das vítimas de violência são jovens negros e pardos. A taxa de mortalidade por causas externas entre homens negros é de 227,5 para cada 100 mil habitantes, significativamente maior que a de jovens brancos. A situação é ainda mais crítica entre jovens com deficiência, que representam 20,5% das notificações de violência, com destaque para aqueles com problemas de saúde mental.
O coordenador da Agenda Jovem Fiocruz, André Sobrinho, enfatiza que o direito à vida é uma bandeira dos movimentos juvenis, ressaltando a necessidade de políticas públicas que protejam essa população vulnerável. O estudo também aponta que o Nordeste e o Norte do Brasil apresentam as maiores taxas de mortalidade por violência entre jovens, com estados como Amapá e Bahia em destaque.
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