- A Comissão Nacional da Verdade (CNV) reconheceu 434 mortos e desaparecidos políticos em seu relatório final de 2014, mas não incluiu indígenas.
- Indígenas pedem a criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade (CNIV) para investigar as violações sofridas durante a ditadura militar.
- O Fórum Povos Indígenas: Memória, Verdade e Justiça está elaborando a proposta da CNIV, que será apresentada ao governo nos próximos meses.
- O procurador da República Marlon Weichert destacou que as violações contra os povos indígenas começaram antes da ditadura, mas se intensificaram nesse período.
- O governo Lula ainda discute a proposta, com apoio de algumas lideranças indígenas, mas não há uma posição clara até o momento.
A Comissão Nacional da Verdade (CNV), em seu relatório final de 2014, reconheceu 434 mortos e desaparecidos políticos, mas não incluiu indígenas, apesar das violências sofridas por esses povos durante a ditadura militar. Indígenas reivindicam a criação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade (CNIV) para investigar essas violações, com apoio de organizações e pressão social, enquanto o governo Lula ainda discute a proposta.
A CNV estimou que 8.350 indígenas foram mortos por ações diretas ou omissões do Estado, número que não reflete a totalidade das violências. Paulino Montejo, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), destacou que as violações incluem remoções forçadas, perseguições e assassinatos. O procurador da República Marlon Weichert ressaltou que as violações contra os povos indígenas não começaram na ditadura, mas ganharam intensidade nesse período.
O Fórum Povos Indígenas: Memória, Verdade e Justiça está formulando a proposta da CNIV, que deve ser apresentada ao Estado nos próximos meses. A proposta busca reescrever a história dos povos indígenas, que foi negligenciada. Montejo afirmou que é necessário valorizar a participação indígena na formação social brasileira e que a não repetição das violações deve vir por meio de políticas de Estado.
O governo Lula, apesar de algumas mudanças positivas, ainda não se posicionou claramente sobre a CNIV. A ministra Sonia Guajajara e a presidente da Funai, Joenia Wapichana, apoiam a iniciativa, mas o Itamaraty indicou que a proposta ainda está em debate. Weichert observou que a postura do governo reflete as dificuldades de uma gestão ampla, mas expressou otimismo sobre o potencial da CNIV para impactar a história do Brasil.
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