- A pressão sobre a comunidade ultraortodoxa, os haredim, aumentou em Israel após o início da guerra em Gaza.
- Historicamente isentos do serviço militar, os haredim agora enfrentam convocação para se alistar.
- Recentes protestos em Jerusalém resultaram em confrontos com a polícia, que começou a prender aqueles que não se alistaram.
- A isenção gera ressentimento entre a população judaica, e a situação se agravou após a rejeição de uma lei que mantinha essa isenção.
- Atualmente, cerca de oitenta mil homens haredim estão aptos ao serviço, mas apenas dois mil novecentos e quarenta se alistaram.
Pressão sobre ultraortodoxos em Israel aumenta com a guerra em Gaza
A tensão entre o governo israelense e a comunidade ultraortodoxa, os haredim, intensificou-se após o início da guerra em Gaza. Historicamente isentos do serviço militar para se dedicarem ao estudo religioso, os haredim agora enfrentam pressão para se alistar. Na noite de um recente protesto em Jerusalém, centenas de membros da seita Edah Haredit se reuniram em frente a uma yeshivá, onde um rabino denunciava a convocação militar. A situação se agravou após o ataque do Hamas em 7 de outubro, que resultou em quase 1.200 mortes.
Os confrontos entre manifestantes e a polícia se intensificaram, com a polícia militar começando a prender aqueles que se esquivavam do alistamento. Embora apenas alguns tenham sido detidos até agora, a situação é crítica. A isenção do serviço militar para os haredim gera ressentimento entre a população judaica, e a guerra em Gaza transformou essa questão em uma crise política. Dois partidos ultraortodoxos essenciais para a coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se retiraram do governo após a rejeição de uma lei que mantinha a isenção.
A Suprema Corte de Israel decidiu, em junho de 2022, que a isenção não tinha base legal sem uma lei formal, levando o Exército a exigir novos recrutas. Atualmente, cerca de 80 mil homens ultraortodoxos estão aptos ao serviço, mas apenas 2.940 se alistaram. O Exército precisa urgentemente de 12 mil novos recrutas, enquanto os reservistas enfrentam um aumento nas convocações devido à exaustão das tropas.
A crescente população haredi, que saltou de 40 mil em 1948 para cerca de 1 milhão hoje, representa um desafio para a sociedade israelense. Pesquisas indicam que 25% dos homens haredim se alistariam se não fossem ostracizados por suas comunidades. A resistência entre os líderes religiosos é forte, mas alguns começam a questionar a necessidade de mudança. A pressão por um alistamento mais inclusivo continua a aumentar, refletindo as tensões sociais em um momento crítico para Israel.
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