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Mulheres em Somalia enfrentam assédio nas praias e são forçadas a nadar em privado

Mulheres em Mogadiscio enfrentam crescente assédio em praias e rios, gerando propostas de segurança e divisão de espaços para proteção

Uma mulher na praia de Lido, em Mogadiscio, no dia 10 de março de 2025. (Foto: Farhio Murad)
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  • Mulheres em Mogadiscio, na Somália, enfrentam assédio sexual nas praias, especialmente na praia de Lido.
  • Relatos de abusos levaram a propostas para dividir as áreas de banho e aumentar a segurança.
  • A vestimenta tradicional dificulta a natação e pode ser perigosa.
  • O porta-voz da polícia somali, Abdifitah Adan Hassan, anunciou planos para criar seções separadas para homens e mulheres.
  • A cultura de impunidade e vergonha impede muitas mulheres de denunciarem os abusos.

Mulheres em Mogadiscio enfrentam assédio nas praias e rios

A situação das mulheres em Somália se agrava, especialmente em locais como a praia de Lido, em Mogadiscio, onde o assédio sexual se tornou uma preocupação crescente. Recentemente, mulheres que frequentam a praia relataram abusos, levando a propostas de dividir as áreas de banho e aumentar a segurança.

Faadumo Ahmed, uma frequentadora da praia, expressou sua insegurança: “Vindo aqui para nadar, nunca me sinto livre. Os jovens se aproximam e, às vezes, tocam de forma inadequada”. A vestimenta tradicional islâmica, que inclui um véu e uma bata longa, dificulta a natação e pode ser perigosa, já que se enrosca nas ondas.

Mahad Muse, jovem que acompanha suas irmãs à praia, também se preocupa com a segurança delas. Ele testemunhou um incidente em que uma mulher foi agredida. “A solução é ter segurança na praia e aplicar leis rigorosas contra os infratores”, afirma. A falta de policiamento é um fator que contribui para a impunidade.

O porta-voz da polícia somali, Abdifitah Adan Hassan, anunciou planos para dividir as praias em seções para mulheres e homens, visando garantir um ambiente seguro. No entanto, ele ressalta que muitas mulheres hesitam em denunciar os abusos devido à vergonha e à cultura de impunidade que permeia a sociedade.

Além da praia, o assédio também é comum na região de Hirshabelle, onde mulheres enfrentam situações semelhantes ao nadar no rio Shebelle. Farhio, de 22 anos, relatou sentir-se sozinha e assustada ao ir ao rio, enquanto Ruun, de 19 anos, questiona a culpa que sente por ser mulher.

Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) destaca que as mulheres enfrentam barreiras culturais ao buscar justiça, com a violência de gênero sendo um problema persistente no país. A falta de denúncias oficiais reflete a cultura de silêncio e vergonha que ainda prevalece.

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