- Mulheres em Mogadiscio, na Somália, enfrentam assédio sexual nas praias, especialmente na praia de Lido.
- Relatos de abusos levaram a propostas para dividir as áreas de banho e aumentar a segurança.
- A vestimenta tradicional dificulta a natação e pode ser perigosa.
- O porta-voz da polícia somali, Abdifitah Adan Hassan, anunciou planos para criar seções separadas para homens e mulheres.
- A cultura de impunidade e vergonha impede muitas mulheres de denunciarem os abusos.
Mulheres em Mogadiscio enfrentam assédio nas praias e rios
A situação das mulheres em Somália se agrava, especialmente em locais como a praia de Lido, em Mogadiscio, onde o assédio sexual se tornou uma preocupação crescente. Recentemente, mulheres que frequentam a praia relataram abusos, levando a propostas de dividir as áreas de banho e aumentar a segurança.
Faadumo Ahmed, uma frequentadora da praia, expressou sua insegurança: “Vindo aqui para nadar, nunca me sinto livre. Os jovens se aproximam e, às vezes, tocam de forma inadequada”. A vestimenta tradicional islâmica, que inclui um véu e uma bata longa, dificulta a natação e pode ser perigosa, já que se enrosca nas ondas.
Mahad Muse, jovem que acompanha suas irmãs à praia, também se preocupa com a segurança delas. Ele testemunhou um incidente em que uma mulher foi agredida. “A solução é ter segurança na praia e aplicar leis rigorosas contra os infratores”, afirma. A falta de policiamento é um fator que contribui para a impunidade.
O porta-voz da polícia somali, Abdifitah Adan Hassan, anunciou planos para dividir as praias em seções para mulheres e homens, visando garantir um ambiente seguro. No entanto, ele ressalta que muitas mulheres hesitam em denunciar os abusos devido à vergonha e à cultura de impunidade que permeia a sociedade.
Além da praia, o assédio também é comum na região de Hirshabelle, onde mulheres enfrentam situações semelhantes ao nadar no rio Shebelle. Farhio, de 22 anos, relatou sentir-se sozinha e assustada ao ir ao rio, enquanto Ruun, de 19 anos, questiona a culpa que sente por ser mulher.
Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) destaca que as mulheres enfrentam barreiras culturais ao buscar justiça, com a violência de gênero sendo um problema persistente no país. A falta de denúncias oficiais reflete a cultura de silêncio e vergonha que ainda prevalece.
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