- A Polícia Federal (PF) desmantelou um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) em operações realizadas em 28 de outubro de 2023.
- O esquema envolvia 1.000 postos de combustíveis e movimentações de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
- As investigações revelaram o uso de fintechs e contas-bolsão para ocultar recursos ilícitos, dificultando o rastreamento.
- A PF cumpriu mais de 400 mandados em dez estados e bloqueou R$ 3,2 bilhões.
- O esquema incluía importação ilegal de nafta, sonegação de impostos e venda de combustível adulterado, além de conexões com 11 instituições financeiras.
A Polícia Federal (PF) desmantelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), envolvendo 1.000 postos de combustíveis e movimentações de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. As operações, realizadas na quinta-feira, 28 de outubro de 2023, foram batizadas de Carbono Oculto, Quasar e Tank, e revelaram a complexidade da infiltração da facção no setor de combustíveis e no mercado financeiro.
As investigações apontam que o PCC utilizava fintechs e contas-bolsão para ocultar recursos ilícitos, dificultando o rastreamento por parte das autoridades. Essas contas permitiam que os criminosos operassem subcontas em nome de clientes, desvinculando-se do crime organizado. A PF cumpriu mais de 400 mandados em pelo menos dez estados, resultando no bloqueio de R$ 3,2 bilhões.
Estrutura do Esquema
O esquema de lavagem de dinheiro do PCC se estendia por diversas atividades, incluindo a importação ilegal de nafta, sonegação de impostos e venda de combustível adulterado. Além disso, a facção controlava quatro usinas de etanol e mantinha conexões com 11 instituições financeiras, que foram alvo de mandados de busca e apreensão. A PF destacou que a operação expôs vulnerabilidades no sistema financeiro, especialmente em relação a fintechs.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ressaltou a importância das operações, afirmando que a ação é um desdobramento de investigações anteriores que já indicavam o uso de fintechs pelo crime organizado. A PF também investiga a possibilidade de vazamentos de informações durante a operação, que resultou em um número elevado de foragidos.
Impacto e Consequências
As operações não apenas desmantelaram a estrutura de lavagem de dinheiro, mas também revelaram a extensão do controle do PCC sobre o setor de combustíveis. O Ministério Público de São Paulo já havia identificado que a facção movimentava R$ 46 bilhões por meio de empresas como Copape e Aster, que foram alvo de investigações anteriores. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) já entrou com ações para bloquear mais de R$ 1 bilhão dos investigados.
As investigações continuam, com a PF em alerta para novas movimentações e possíveis desdobramentos relacionados a esse esquema bilionário, que expõe a intersecção entre crime organizado e economia formal no Brasil.
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