- Um estudo publicado na revista Science Advances revela que a estratégia de “prebunking” pode reduzir a crença em desinformações sobre eleições nos Estados Unidos e no Brasil.
- A pesquisa foi liderada por John Carey, do Dartmouth College, e incluiu a brasileira Marília Gehrke, da Universidade de Groningen.
- Foram realizados três experimentos entre outubro de 2022 e fevereiro de 2023 com eleitores de ambos os países.
- A técnica de “prebunking” expõe os indivíduos a informações sobre desinformação, seguidas de dados que desmentem teorias conspiratórias.
- Os resultados mostraram uma queda na crença em fraudes eleitorais, especialmente entre eleitores mais suscetíveis a teorias da conspiração.
Um estudo recente revela que a estratégia de “prebunking” pode ser eficaz na redução da crença em desinformações sobre eleições nos Estados Unidos e no Brasil. A pesquisa, publicada na revista Science Advances, foi conduzida por uma equipe liderada por John Carey, do Dartmouth College, e incluiu a brasileira Marília Gehrke, da Universidade de Groningen.
Os pesquisadores realizaram três experimentos entre outubro de 2022 e fevereiro de 2023, envolvendo eleitores americanos e brasileiros. O objetivo era avaliar como intervenções poderiam influenciar a percepção sobre a integridade dos resultados eleitorais e a prevalência de fraudes. A técnica de “prebunking” consiste em expor os indivíduos a informações sobre desinformação de forma leve, seguida de dados claros que desmentem teorias conspiratórias.
Eficácia do Prebunking
Os resultados mostraram que essa abordagem teve um impacto positivo, especialmente entre aqueles mais propensos a acreditar em teorias da conspiração. Nos Estados Unidos, a crença em fraudes eleitorais entre apoiadores de Donald Trump caiu de 41,3% para entre 19% e 24,4% após a intervenção. No Brasil, entre os apoiadores de Jair Bolsonaro, a confiança nos resultados eleitorais aumentou de 20% para 28%.
Os pesquisadores compararam o prebunking com outra estratégia, que utilizava fontes de credibilidade, como juízes republicanos que defenderam a lisura das eleições. Ambas as abordagens mostraram eficácia, mas o prebunking se destacou como a mais eficaz, especialmente entre os eleitores mais suscetíveis à desinformação.
Implicações e Futuro
Marília Gehrke destacou que as pessoas mais desinformadas têm maior potencial para mudar suas crenças. A pesquisa sugere que a informação correta pode ser pouco familiar para esses indivíduos, o que pode facilitar a mudança de percepção. Os resultados são promissores, indicando que estratégias de comunicação podem ser fundamentais para combater a desinformação nas eleições.
Os pesquisadores expressaram otimismo sobre a capacidade das pessoas de reavaliar suas crenças, ressaltando o papel crucial de jornalistas e responsáveis pelo sistema eleitoral na disseminação de informações precisas.
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