- A 6ª Conferência FAPESP ocorreu em 29 de agosto de 2025, abordando a aplicação de inteligência artificial em políticas públicas.
- Paulo Jannuzzi, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou a “Rede de Pesquisa IA2PP”.
- Jannuzzi destacou que soluções individualistas não são suficientes para enfrentar desigualdades e crises, como mudanças climáticas e envelhecimento populacional.
- A rede busca aplicar inteligência artificial para resolver problemas práticos, como a redução de filas no Sistema Único de Saúde (SUS) e inclusão de populações vulneráveis.
- Especialistas reforçaram a importância da coprodução de conhecimento entre pesquisadores e gestores para implementar políticas públicas eficazes.
A aplicação de inteligência artificial em políticas públicas foi o foco da 6ª Conferência FAPESP, realizada em 29 de agosto de 2025. O evento, que discutiu a interface entre conhecimento e gestão, contou com a apresentação de Paulo Jannuzzi, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE e diretor do Centro de Colaboração Interinstitucional de Inteligência Artificial Aplicada às Políticas Públicas.
Jannuzzi destacou que soluções individualistas não são suficientes para enfrentar as desigualdades e as crises atuais, como as mudanças climáticas e o envelhecimento populacional. Ele enfatizou a importância de integrar valores civilizatórios nas políticas públicas, além de métricas de eficiência. O especialista alertou sobre os riscos da corrida tecnológica entre grandes empresas, que podem acelerar o desenvolvimento da IA sem compromisso ético.
Desafios e Oportunidades
Durante sua apresentação, Jannuzzi utilizou metáforas culturais para ilustrar cenários futuros. Ele comparou um futuro distópico, similar ao filme *Blade Runner*, com um Brasil que se aproxima do cenário de *Bacurau*, onde as políticas públicas ainda estão em desenvolvimento. Para transitar para um futuro mais positivo, como o de *Shangrilá*, o pesquisador defendeu a criação da Rede de Pesquisa IA2PP, que visa aplicar a inteligência artificial para resolver questões práticas enfrentadas por gestores públicos.
A rede, desenvolvida em parceria com instituições como a Universidade Federal de Goiás e a Unicamp, busca responder a perguntas cruciais, como a redução de filas no SUS e a inclusão de populações vulneráveis. Jannuzzi mencionou o ChatPP, uma IA conversacional que já está sendo utilizada em municípios brasileiros para melhorar a gestão pública.
Coprodução de Conhecimento
A conferência também contou com a participação de especialistas que reforçaram a necessidade de coprodução de conhecimento. Gabriela Marques Di Giulio, da USP, destacou que a superação da emergência climática requer uma interação respeitosa entre cientistas e a sociedade. Jean Ometto, do INPE, ressaltou a importância de aproveitar janelas de oportunidade para implementar políticas públicas baseadas em evidências robustas.
Rafael Barreiro Chaves, da Secretaria de Meio Ambiente, enfatizou a urgência de transformar a relação entre pesquisadores e gestores em um diálogo contínuo. Ele defendeu que a coprodução de conhecimento é essencial para o avanço civilizatório e para a construção de soluções concretas e factíveis.
A conferência foi organizada por Vanessa Elias de Oliveira, da UFABC, e moderada por Sabine Righetti, da Unicamp. O evento pode ser assistido na íntegra em plataformas digitais.
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