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Direita se fortalece no Chile e pode mudar a política nacional de forma significativa

José Antonio Kast se destaca como líder nas eleições de 2026, refletindo a crescente demanda por segurança e desconfiança nas elites políticas

Candidato presidencial Jose Antonio Kast participa de debate em Santiago, Chile (Foto: Reprodução)
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  • O Chile enfrenta uma nova realidade política após o “estallido social” de 2019 e a presidência de Gabriel Boric.
  • José Antonio Kast é o favorito para as eleições presidenciais de 2026, refletindo o crescimento da direita no país.
  • A crise de segurança e a desconfiança nas elites políticas impulsionam esse fenômeno, segundo a cientista política Claudia Heiss.
  • A rejeição da proposta da Convenção Constitucional em 2022 evidenciou o descontentamento do eleitorado, que agora apoia a extrema direita.
  • As prioridades dos chilenos mudaram, com foco em segurança pública e economia, favorecendo propostas mais rigorosas da direita.

Chile: Crescimento da Direita e Desafios Políticos

O Chile, após o intenso “estallido social” de 2019, que resultou na eleição de uma Convenção Constitucional e na presidência de Gabriel Boric, enfrenta uma nova realidade política. José Antonio Kast surge como favorito para as eleições presidenciais de 2026, simbolizando um fortalecimento da direita no país. Esse fenômeno é impulsionado por crises de segurança e uma crescente desconfiança nas elites políticas.

A cientista política Claudia Heiss, da Universidad de Chile, destaca que a crise de representatividade política, que se arrasta desde a década passada, é um fator crucial para o crescimento da direita. A rejeição da proposta da Convenção Constitucional em 2022, que mobilizou cerca de 5 milhões de votos, evidenciou o descontentamento de um eleitorado que se sentiu afastado da política. Esse grupo, agora, se torna um importante suporte para a extrema direita, que se apresenta como antissistêmica.

Mudanças nas Prioridades

Após os protestos de 2019 e as tentativas frustradas de elaborar uma nova Constituição, as agendas sociais foram deixadas de lado. A segurança pública e a economia passaram a ser as principais preocupações dos chilenos, favorecendo propostas mais rigorosas da direita. Claudio Alvarado, diretor do Instituto de Estudios de la Sociedad, afirma que as esquerdas estão desconectadas das reais inquietações da população, enquanto a direita se mostra mais alinhada com as demandas de segurança e crescimento econômico.

Uma pesquisa do Centro de Estudios Públicos (CEP), divulgada em maio, revela que a ordem pública e a segurança são as prioridades para os próximos dez anos, superando a necessidade de maior igualdade de oportunidades, que era a principal preocupação há uma década.

O Papel da Direita

O ex-presidente Sebastián Piñera, que faleceu em 2024, foi fundamental na reformulação da direita chilena, promovendo uma agenda mais centrada. Contudo, essa mudança também gerou uma contrarreação conservadora, levando ao surgimento de correntes extremistas. O estudo “De lo Convencional al Extremo” aponta que, apesar de algumas semelhanças, a direita moderada e a extrema direita diferem em sua relação com a democracia.

Atualmente, José Antonio Kast e Johannes Kaiser, do Partido Nacional Libertário, são os principais representantes da direita. Enquanto Kast é visto como conservador em valores, Kaiser adota uma postura mais liberal. A politóloga Claudia Heiss alerta que ambos representam uma ameaça à democracia, enfatizando a necessidade de um compromisso com o pluralismo e o diálogo entre as forças políticas do país.

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