- Um e-mail interno revela conivência entre o Governo canário e a Fiscalia sobre o sistema de proteção de menores migrantes nas Ilhas Canárias.
- A diretora geral de Infância, Sandra Rodríguez, admite que a compreensão da Fiscalia permitiu a manutenção de 86 centros de acolhimento, apesar das condições precárias.
- A ONG Quorum 77, que abriga muitos menores migrantes, está sendo investigada por abusos, com relatos de maus-tratos e negligência.
- A falta de pessoal para atender os menores é crítica, e o presidente canário, Fernando Clavijo, reconhece a emergência do sistema.
- Em 2024, apenas 100 das 340 inspeções previstas pela Fiscalia foram realizadas, contribuindo para a deterioração das condições nos centros.
Um e-mail interno revela a conivência entre o Governo canário e a Fiscalia em relação ao sistema de proteção de menores migrantes nas Ilhas Canárias. O documento, acessado por EL PAÍS, mostra que a diretora geral de Infância, Sandra Rodríguez, reconhece que a compreensão da Fiscalia permitiu a manutenção de 86 centros de acolhimento, mesmo diante de condições precárias.
A situação se agrava com a investigação da ONG Quorum 77, que abriga o maior número de menores migrantes nas ilhas e é acusada de abusos. Testemunhos de ex-funcionários e jovens sob tutela apontam para maus-tratos e negligência em um sistema já sobrecarregado. O Governo canário e a Fiscalia, cientes das denúncias desde 2021, não tomaram as medidas necessárias para garantir a segurança dos menores.
Crise no Sistema de Acolhimento
A diretora Sandra Rodríguez advertiu em seu e-mail que a falta de pessoal para atender os menores é crítica, especialmente após um aumento de cinco vezes na demanda desde setembro de 2023. O presidente canário, Fernando Clavijo, reconheceu a incapacidade do sistema de preservar os direitos das crianças, afirmando que a situação é de emergência.
A Fiscalia, responsável pela supervisão dos centros, não cumpriu com as inspeções necessárias. Em 2024, apenas 100 das 340 inspeções previstas foram realizadas, e as visitas foram frequentemente anunciadas, permitindo que as ONGs se preparassem. Essa falta de fiscalização contribuiu para a deterioração das condições nos centros.
Investigação da ONG Quorum 77
A investigação contra a Quorum 77, que já resultou no fechamento de dois centros e na detenção de 11 funcionários, incluindo a presidente da ONG, expõe um padrão de maus-tratos. Relatos de ex-trabalhadores indicam que adolescentes eram punidos com isolamento por longos períodos. A pressão sobre o sistema de acolhimento, que abriga mais de 5.000 menores migrantes, levanta questões sobre a responsabilidade do Governo e da Fiscalia em garantir o bem-estar dessas crianças.
O e-mail de Rodríguez destaca a complexidade da crise e a necessidade de colaboração entre as entidades envolvidas. No entanto, a falta de ação efetiva e a conivência entre as autoridades levantam preocupações sobre a proteção dos menores migrantes nas Canárias.
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