- O julgamento dos acusados de tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o general Augusto Heleno, foi retomado no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, três de setembro.
- O advogado Matheus Milanez, que defende Heleno, criticou a quantidade de provas apresentadas, considerando-as frágeis e sem conexão direta com seu cliente.
- Milanez destacou que a defesa teve pouco tempo para analisar os materiais e pediu a absolvição de Heleno, que, segundo ele, não teve participação ativa em uma live de dois mil e vinte e um.
- O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, foi criticado por sua postura investigativa, tendo feito trezentas e duas perguntas durante os interrogatórios, em comparação com cinquenta e nove da Procuradoria-Geral da República.
- O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a condenação dos réus, afirmando que o grupo liderado por Bolsonaro planejou um ataque às instituições democráticas, culminando nos eventos de oito de janeiro.
O julgamento dos acusados de tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o general Augusto Heleno, foi retomado nesta quarta-feira (3) no Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa de Heleno, representada pelo advogado Matheus Milanez, criticou a condução do processo, especialmente a atuação do ministro Alexandre de Moraes, que fez 302 perguntas durante os interrogatórios, em contraste com as 59 da Procuradoria-Geral da República.
Milanez argumentou que a quantidade de provas apresentadas é frágil e não estabelece uma conexão direta com o general. Ele destacou que a defesa teve pouco tempo para analisar os materiais, que, segundo ele, possuem nomes confusos e sem clareza sobre suas origens. O advogado pediu a absolvição de Heleno, afirmando que ele não teve participação ativa em uma live de 2021, onde apenas mexia no celular.
Críticas à Atuação de Moraes
A defesa de Heleno não foi a única a criticar Moraes. O ministro, que é o relator do caso, foi chamado de “juiz inquisidor” por sua postura investigativa. Durante a sessão, Moraes enfatizou a gravidade das acusações e a necessidade de proteger a independência da Justiça brasileira. Ele também se manifestou contra tentativas de interferência externa no processo.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou as provas coletadas pela Polícia Federal e defendeu a condenação dos réus. Ele afirmou que o grupo liderado por Bolsonaro planejou e executou um ataque sistemático às instituições democráticas, com o 8 de janeiro sendo o ponto culminante dos atos violentos.
Expectativas para o Julgamento
A sessão de hoje seguiu a ordem alfabética das defesas, com a fala de Milanez sendo a primeira. Em seguida, os advogados de Jair Bolsonaro, Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno, também se manifestarão. O julgamento é histórico, pois envolve a primeira vez que militares são julgados em um tribunal civil no Brasil. As decisões dos ministros da Primeira Turma devem ser apresentadas na próxima semana, com possíveis condenações que podem resultar em penas severas.
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