- O tenente-coronel Mauro Cid fez delação sobre a trama golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
- Durante o julgamento, Cid revelou que Bolsonaro pressionou para alterar relatórios sobre urnas eletrônicas e apresentou uma minuta com propostas golpistas.
- Cid afirmou que o ex-presidente queria que o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, modificasse um relatório que não encontrou fraudes nas urnas.
- O delator também mencionou que Bolsonaro incentivou manifestantes a permanecerem em frente aos quartéis após as eleições, buscando apoio popular.
- A Procuradoria-Geral da República (PGR) destacou a participação do ex-ministro da Defesa, Braga Netto, na incitação de protestos e na mobilização de recursos para as manifestações.
A delação do tenente-coronel Mauro Cid, um dos principais pontos da ação penal sobre a trama golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, trouxe novas revelações. Durante o julgamento, iniciado na última terça-feira, Cid detalhou a pressão de Bolsonaro para alterar relatórios sobre urnas eletrônicas e a apresentação de uma minuta com teor golpista.
Cid afirmou que Bolsonaro insistiu para que o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, endurecesse um relatório que inicialmente concluiu não haver fraude nas urnas. O tenente-coronel também mencionou que o ex-assessor Filipe Martins levou ao presidente uma minuta que previa intervenções do STF e do TSE, além de propostas de estado de defesa e prisão de autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes.
Incitação e Mobilização
O delator revelou que Bolsonaro tinha uma estratégia para manter a pressão popular após as eleições, incentivando manifestantes a permanecerem em frente aos quartéis. Cid destacou que o ex-presidente acreditava na possibilidade de encontrar fraudes nas urnas, o que tornava essencial o apoio popular para reverter a narrativa.
Em uma reunião com militares, Cid relatou que houve insatisfações sobre o processo eleitoral. Ele também mencionou que, após essa reunião, recebeu uma sacola com dinheiro, supostamente destinada a financiar manifestações, das mãos de Braga Netto, ex-ministro da Defesa.
Implicações e Reações
A Procuradoria-Geral da República (PGR) ressaltou a participação de Braga Netto na incitação de movimentos populares, afirmando que ele mantinha contato com os manifestantes. Cid citou um vídeo em que o general encorajava os protestos, sugerindo que tanto ele quanto Bolsonaro esperavam que algo acontecesse para convencer as Forças Armadas a agir.
As defesas dos réus, incluindo a de Bolsonaro e Braga Netto, tentaram desqualificar a delação de Cid, alegando falta de voluntariedade e coação. O advogado de Cid, por sua vez, defendeu a validade do acordo de colaboração, que foi firmado após sua liberação em setembro de 2023, após quatro meses de detenção.
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