- A Controladoria-Geral da União (CGU) informou que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não seguiu alertas sobre fraudes em descontos associativos em aposentadorias desde 2019.
- A diretora de auditoria de previdência da CGU, Eliane Viegas Mota, declarou que o INSS ignorou recomendações do Ministério Público do Paraná e auditorias que apontaram irregularidades.
- Em julho de 2024, Mota se reuniu com o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, para discutir um relatório com indícios de irregularidades, mas os acordos com entidades suspeitas não foram suspensos.
- O relatório da CGU, finalizado em março de 2024, revelou inclusões irregulares em massa de descontos desde 2016, com picos em 2018, 2023 e 2024.
- A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) investiga o envolvimento de entidades ligadas ao Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical (Sindnapi) e convocou o operador central do esquema, Antônio Carlos Camilo Antunes, que movimentou R$ 53 milhões.
BRASÍLIA – A Controladoria-Geral da União (CGU) revelou que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ignorou alertas sobre fraudes em descontos associativos em aposentadorias desde 2019. A diretora de auditoria de previdência da CGU, Eliane Viegas Mota, informou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que, apesar das recomendações do Ministério Público do Paraná e de auditorias realizadas, o INSS não tomou medidas para suspender acordos com entidades suspeitas.
Em julho de 2024, Mota se reuniu com o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, para discutir um relatório que apontava irregularidades significativas. Apesar das evidências, o INSS não suspendeu os acordos de cooperação técnica com as entidades envolvidas. Mota destacou que a CGU criou uma diretoria específica para auditoria em previdência em 2019, após o aumento de reclamações de beneficiários sobre descontos indevidos.
Irregularidades Identificadas
O relatório da CGU, concluído em março de 2024, identificou indícios de inclusões irregulares em massa de descontos desde 2016, com picos em 2018, 2023 e 2024. Em um caso, uma única entidade registrou mais de 50 mil inclusões de descontos em um único mês, levantando sérias suspeitas sobre a legalidade dessas operações.
A CPI também investiga o envolvimento de entidades ligadas ao Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical (Sindnapi), cujo vice-presidente, José Ferreira da Silva, é irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, a CPI convocou o operador central do esquema, Antônio Carlos Camilo Antunes, que movimentou R$ 53 milhões relacionados a entidades sindicais.
Depoimentos e Desdobramentos
A CPI já agendou depoimentos de ex-ministros da Previdência, incluindo Carlos Lupi, que foi demitido em maio de 2025. A investigação busca esclarecer as relações entre os ex-ministros e o esquema de fraudes em descontos de aposentados. O ministro da CGU, Vinicius Carvalho, afirmou que a situação era de conhecimento geral e que a CGU estava realizando auditorias para apurar as irregularidades.
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