- O Congresso Nacional aprovou mudanças na Lei da Ficha Limpa, que reduzem a inelegibilidade de políticos condenados.
- A nova regra estabelece que o prazo de inelegibilidade de oito anos será contado a partir da condenação, e não do cumprimento da pena.
- Foi fixado um limite de doze anos para a inelegibilidade e a comprovação de dolo em casos de improbidade é agora necessária para a punição.
- O período de desincompatibilização para candidatos de instituições como o Ministério Público e as Forças Armadas foi ampliado de quatro para seis meses.
- As alterações foram aprovadas sem discussões em comissões e podem beneficiar políticos como Eduardo Cunha, Anthony Garotinho e José Roberto Arruda.
O Congresso Nacional aprovou mudanças significativas na Lei da Ficha Limpa, que visam reduzir a inelegibilidade de políticos condenados por crimes. A nova regra, aprovada pelo Senado com 50 votos a 24, determina que o prazo de inelegibilidade de oito anos será contado a partir da condenação e não mais do cumprimento da pena.
Além disso, foi estabelecido um limite de 12 anos para o tempo que um político pode ficar inelegível. As alterações também exigem a comprovação de dolo em casos de improbidade para que a punição seja aplicada. O período de desincompatibilização para candidatos oriundos de instituições como o Ministério Público e as Forças Armadas foi ampliado de quatro para seis meses.
Essas mudanças foram aprovadas em regime de urgência, sem discussões em comissões ou audiências públicas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, justificou a medida afirmando que a intenção é limitar o afastamento de políticos das urnas a um máximo de oito anos.
A nova legislação pode beneficiar figuras como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, cuja inelegibilidade se estenderia até 2040, mas agora poderá se candidatar já nas próximas eleições. Outros políticos, como os ex-governadores Anthony Garotinho e José Roberto Arruda, também podem ser favorecidos pelas novas regras.
A Lei da Ficha Limpa, que surgiu de uma iniciativa popular com mais de 1,6 milhão de assinaturas, teve sua constitucionalidade confirmada pelo STF em 2012. As recentes alterações, no entanto, levantam preocupações sobre a proteção da política contra a corrupção e a impunidade. A expectativa é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete as mudanças, atendendo ao clamor da população por uma política mais ética.
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