- Um estudo do organismo Hagamos Democracia revela que noventa e dois vírgula vinte e cinco por cento dos nicaraguenses se sentem vigiados em seus bairros.
- O regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo intensificou a repressão, utilizando policiais, paramilitares e estruturas políticas em conjunto com a Direção de Inteligência do Exército e o Ministério do Interior.
- A pesquisa, realizada entre dezoito e vinte e três de julho de dois mil e vinte e cinco, mostra que a vigilância é chamada de “vigilância revolucionária”.
- O levantamento aponta que houve trinta e três detenções e casos de desaparecimento forçado, com dois detidos entregues mortos a suas famílias em menos de uma semana.
- Os Comitês de Liderança Sandinista são identificados como principais agentes de controle, promovendo um clima de desconfiança e normalizando a delação entre vizinhos.
Nove em cada dez nicaraguenses se sentem vigiados em seus bairros, segundo um estudo do organismo Hagamos Democracia. O regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo intensificou a repressão, utilizando uma rede de policiais, paramilitares e estruturas políticas que atuam em conjunto com a Direção de Inteligência do Exército e o Ministério do Interior. O clima de controle social se tornou parte da vida cotidiana no país.
O levantamento, realizado entre 18 e 23 de julho de 2025, revela que 92,25% da população vive sob a chamada “vigilância revolucionária”. Essa situação se agrava após Ortega ter ordenado, em um evento público, o aumento da vigilância para “capturar e processar” opositores. Os Comitês de Liderança Sandinista (CLS) são identificados como os principais agentes de controle, seguidos pela Polícia Nacional e grupos paramilitares.
A pesquisa também destaca que a repressão se intensificou, com 33 detenções e casos de desaparecimento forçado. Dois dos detidos foram entregues mortos a suas famílias em menos de uma semana. O ambiente de vigilância não apenas afeta a liberdade individual, mas também gera um clima de desconfiança entre vizinhos, normalizando a delação como ferramenta de controle.
Estruturas de Vigilância
A relação entre os CLS e a Polícia Nacional é descrita como simbiótica. Os CLS coletam informações e as repassam à polícia, que realiza as detenções e intimidações. Além disso, o regime tem promovido encontros de “segurança cidadã” que, na prática, servem como mecanismos de controle social, reforçados pela presença de oficiais policiais.
Essas dinâmicas de vigilância têm contribuído para um aumento da sensação de insegurança e a erosão das liberdades civis. A população, temerosa de represálias, se vê impossibilitada de expressar suas preocupações. O regime, ao invés de proteger os cidadãos, direciona seus recursos para a repressão, expondo a sociedade a níveis elevados de insegurança cotidiana.
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