- O prefeito Ricardo Nunes reativou o projeto de construção de túneis sob a Avenida Sena Madureira, em São Paulo.
- A obra visa melhorar a mobilidade urbana, mas enfrenta resistência da comunidade local, especialmente da favela Sousa Ramos, onde cerca de 200 famílias serão removidas.
- O Ministério Público recomendou a rescisão do contrato com a construtora responsável, após interrupções nas obras.
- A construção, que custará R$ 531 milhões, foi inicialmente proposta em 2011 e suspensa em 2013 devido à Operação Lava Jato.
- A primeira audiência pública da nova licitação ocorreu em fevereiro, marcada por protestos e confusões entre ativistas e a Guarda Civil Metropolitana.
Recentemente, o prefeito Ricardo Nunes reativou o polêmico projeto de construção de túneis sob a avenida Sena Madureira, na Vila Mariana, em São Paulo. A obra, que visa melhorar a mobilidade urbana, enfrenta forte resistência da comunidade local, especialmente da favela Sousa Ramos, onde cerca de 200 famílias serão removidas. O Ministério Público já recomendou a rescisão do contrato com a construtora responsável, após a interrupção das obras.
Historicamente, intervenções rodoviárias na cidade priorizam os veículos, como evidenciado pelo Plano de Avenidas da década de 1930. O projeto atual, que promete beneficiar 800 mil pessoas diariamente, é criticado por seu impacto ambiental, que inclui a derrubada de 300 árvores e a transferência do córrego do Sapateiro. Moradores afirmam que não haverá melhorias significativas no trânsito.
A construção dos túneis foi inicialmente proposta em 2011, mas suspensa em 2013 devido a investigações da Operação Lava Jato. Após uma década sem avanços, o projeto foi ressuscitado em setembro de 2022, gerando protestos e questionamentos por parte de vereadores de oposição. O Commu, um coletivo de mobilidade urbana, denunciou a iniciativa ao Ministério Público, alegando que favorece apenas os motoristas e causa danos sociais e ambientais.
Conflitos e Protestos
Na última quinta-feira, 4 de fevereiro, ocorreu a primeira audiência pública da nova licitação, marcada por confusões e protestos. Ativistas e moradores acusaram a Guarda Civil Metropolitana de agir de forma truculenta, impedindo a entrada de opositores e facilitando a presença de apoiadores do governo. A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras afirmou que não houve restrições à participação popular.
A obra, que tem um custo estimado de R$ 531 milhões, continua a gerar polêmica, especialmente por ter sido iniciada sem consulta popular. A resistência da comunidade e as críticas ao padrão de priorização do transporte rodoviário refletem um descontentamento crescente com as políticas urbanas da cidade.
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