- Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados a uma tentativa de golpe de Estado.
- O bolsonarismo planeja abrir frentes no Congresso e internacionalmente para reverter a condenação, incluindo a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Judiciário.
- O deputado Luciano Zucco, aliado de Bolsonaro, acredita que o voto dissidente do ministro Luiz Fux pode ser explorado.
- A articulação internacional é liderada pelo deputado Eduardo Bolsonaro e o comunicador Paulo Figueiredo, que buscam apoio nos Estados Unidos.
- O Supremo Tribunal Federal afirmou que crimes contra a democracia não são passíveis de anistia, conforme ressaltou o ministro Alexandre de Moraes.
BRASÍLIA — Após a condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados a uma tentativa de golpe de Estado, o bolsonarismo articula uma série de frentes para reverter a decisão. As estratégias incluem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e ações no cenário internacional, especialmente nos Estados Unidos.
O deputado Luciano Zucco (PL-RS), um dos principais aliados de Bolsonaro, acredita que a brecha jurídica aberta pelo voto dissidente do ministro Luiz Fux pode ser explorada. Fux, único a votar pela nulidade do processo, questionou o caráter golpista das ações que culminaram no 8 de Janeiro. Os demais ministros, no entanto, condenaram Bolsonaro e outros réus por crimes como organização criminosa e tentativa de abolição do Estado democrático de direito.
Frentes de Ação
Os bolsonaristas planejam duas frentes no Congresso e uma no exterior. A proposta da CPI visa investigar supostos abusos do Judiciário, com apoio até de setores moderados, como o senador Marcos Pontes (PL-SP). A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) defende que a liberdade de Bolsonaro é uma prioridade, afirmando que o “poder corrompido” não trata adversários como inimigos.
Além disso, um site foi criado para monitorar o apoio à CPI, que já conta com 184 assinaturas favoráveis. Zucco está mobilizando os últimos apoios necessários para protocolar o pedido de instalação da comissão. A ideia é que, na falta de recursos internos, as denúncias sejam levadas a tribunais internacionais.
Articulações Internacionais
A articulação internacional é liderada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o comunicador Paulo Figueiredo, que têm se reunido em Washington para pressionar a Casa Branca a sancionar ministros do STF. Figueiredo destaca a necessidade de uma “luta incessante” por uma anistia ampla, geral e irrestrita.
O Partido Liberal (PL) vê uma nova oportunidade política para avançar com a anistia, embora a discussão ainda enfrente resistência. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem evitado pautar o tema, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tenta moderar as articulações.
O STF, por sua vez, deixou claro que crimes contra a democracia não são passíveis de anistia, conforme ressaltou o ministro Alexandre de Moraes durante o julgamento. Além de Bolsonaro, o delator Mauro Cid foi condenado a dois anos em regime aberto, mas também teve o pedido de perdão judicial negado.
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