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Fast Shop fecha acordo de R$ 100 milhões com MP após escândalo de propina em SP

Fast Shop paga R$ 100 milhões em acordo de não persecução penal após investigação de propina na Secretaria da Fazenda de São Paulo

Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop (Foto: Reprodução)
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  • Dois sócios e o diretor estatutário da Fast Shop firmaram um acordo de não persecução penal no valor de R$ 100 milhões com o Ministério Público de São Paulo.
  • O acordo é parte da Operação Ícaro, que investiga um esquema de pagamento de propina a servidores da Secretaria da Fazenda do Estado.
  • A investigação revelou que a Fast Shop repassou R$ 422,7 milhões à empresa de fachada Smart Tax entre dezembro de 2021 e julho de 2025, obtendo fraudulentamente cerca de R$ 1,59 bilhão em créditos de ressarcimento de ICMS.
  • O diretor estatutário, Mário Otávio Gomes, teve intensa comunicação com um auditor fiscal, que também foi preso, evidenciando a conexão entre eles.
  • O Ministério Público está em contato com a Secretaria da Fazenda para auditoria dos valores, enquanto a Fast Shop e a Ultrafarma afirmam estar colaborando com as investigações.

Dois sócios e o diretor estatutário da Fast Shop firmaram um acordo de não persecução penal, no valor de R$ 100 milhões, com o Ministério Público de São Paulo. A decisão, homologada nesta segunda-feira (15), é um desdobramento da Operação Ícaro, que investiga um esquema de pagamento de propina a servidores da Secretaria da Fazenda do Estado.

A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Crimes de Formação de Cartel e Lavagem de Dinheiro (Gedec), revela que a Fast Shop repassou R$ 422,7 milhões à empresa de fachada Smart Tax entre dezembro de 2021 e julho de 2025. Em troca, a varejista obteve fraudulentamente cerca de R$ 1,59 bilhão em créditos de ressarcimento de ICMS, que foram vendidos a grandes empresas para compensar tributos.

Detalhes da Investigação

O acordo de R$ 100 milhões é uma prestação pecuniária penal e não substitui a cobrança de eventuais débitos tributários. Além disso, os investigados se comprometeram a implementar um rigoroso programa de compliance na empresa. O diretor estatutário, Mário Otávio Gomes, é considerado uma figura central na fraude, com intensa comunicação com um auditor fiscal, que também foi preso.

A troca de mais de 200 mensagens entre Mário e o auditor, Artur Gomes da Silva Neto, entre 2022 e 2024, evidencia a conexão entre eles. Mário era responsável por tratar do contrato com a Smart Tax, que atuava como intermediária no pagamento das propinas. O esquema, que movimentou cerca de R$ 1 bilhão em cinco anos, envolvia Artur prestando consultoria e assinando reembolsos na Sefaz.

Consequências e Colaboração

O Ministério Público já está em contato com a Secretaria da Fazenda para auditoria dos valores. A Fast Shop e a Ultrafarma afirmam estar colaborando com as investigações. Mário e Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, estão soltos após a revogação de medidas cautelares, incluindo uma fiança de R$ 25 milhões.

A investigação continua, com foco na relação entre os envolvidos e a movimentação financeira da Fast Shop, que saltou de R$ 411 mil em 2021 para R$ 2 bilhões em 2023, despertando a atenção das autoridades.

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