- Mais de 70 pessoas morreram em protestos violentos no Nepal, que começaram após a proibição de redes sociais e a insatisfação com a corrupção governamental.
- Os confrontos resultaram em mais de 1.000 feridos e na queda do governo.
- A polícia foi acusada de usar balas reais contra os manifestantes, gerando revolta popular.
- A nova primeira-ministra interina, Sushila Karki, enfrenta pressão para investigar as mortes e restaurar a confiança pública.
- Profissionais de saúde relataram um aumento significativo no número de feridos, com muitos apresentando ferimentos por balas.
Nepal vive onda de protestos violentos após mortes em manifestações
Mais de 70 pessoas morreram em protestos violentos no Nepal, desencadeados por uma proibição de redes sociais e a crescente insatisfação com a corrupção governamental. Os confrontos, que começaram na última segunda-feira, resultaram em mais de 1.000 feridos e a queda do governo.
Os protestos começaram após o governo anunciar a proibição de plataformas como Facebook e YouTube, alegando a necessidade de regular o conteúdo online. A decisão gerou revolta, levando milhares a se reunirem em frente ao parlamento em Kathmandu. A situação se agravou quando a polícia foi acusada de usar balas reais contra os manifestantes, resultando em mortes trágicas.
Narendra Shrestha, que perdeu seu filho Sulov, de 21 anos, em um dos confrontos, questiona a responsabilidade do governo. “Se eles podem atirar, então eu e sua mãe também devemos nos levantar. Para quem viveremos agora?”, desabafa. Outros familiares também aguardam para identificar os corpos de jovens que sonhavam em ser juízes ou aprender francês.
Investigação em andamento
A nova primeira-ministra interina, Sushila Karki, enfrenta o desafio de restaurar a confiança pública e investigar as mortes. Ela anunciou eleições para 5 de março de 2026, mas a pressão por justiça é intensa. A polícia declarou que irá investigar os eventos, mas ainda não está claro quem deu a ordem para abrir fogo.
Profissionais de saúde relataram um aumento significativo no número de feridos. Dr. Santosh Paudel, que atendeu pacientes no hospital Bir, mencionou que muitos apresentavam ferimentos por balas de rifles, além de balas de borracha. “Nunca vimos uma situação como esta”, afirmou Ranjana Nepal, do Hospital Civil de Kathmandu, que tratou mais de 450 pacientes durante os protestos.
Os protestos se intensificaram com a destruição de propriedades públicas, incluindo a queima de edifícios governamentais. A insatisfação popular, que já existia, foi exacerbada pela repressão violenta das manifestações. A população exige mudanças e responsabilização dos envolvidos na tragédia.
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