- O sistema penitenciário no México enfrenta uma crise, com mais de 100.000 presos sem condenação.
- Dados recentes mostram que 40,4% da população carcerária está processada, ou seja, ainda não recebeu sentença.
- O número de detidos sem condenação aumentou em 12.816 nos últimos oito meses, refletindo a pressão do governo para combater a violência e o tráfico de fentanilo.
- A estratégia de segurança da administração de Claudia Sheinbaum resultou na detenção de mais de 32.000 pessoas em menos de um ano.
- Casos de pessoas que aguardam anos por julgamento são comuns, evidenciando a necessidade de reformas no sistema judicial.
O sistema penitenciário no México enfrenta uma grave crise, com o número de presos sem condenação ultrapassando 100.000 pela primeira vez. Dados do Cuaderno Mensual de Información Penitenciaria Nacional revelam que 40,4% da população carcerária está processada, ou seja, ainda não recebeu uma sentença. O aumento foi de 12.816 detidos em apenas oito meses, refletindo a pressão do governo para combater a violência e o tráfico de fentanilo.
A estratégia de segurança do governo de Claudia Sheinbaum resultou na detenção de mais de 32.000 pessoas em menos de um ano. Essa abordagem, que prioriza detenções por crimes de alto impacto, tem gerado um crescimento acelerado da população carcerária, que saltou de 202.000 em 2020 para 252.000 em 2025. O aumento de presos sem condenação é alarmante, com 14.354 novos detidos entre janeiro e agosto de 2025.
Impacto das Detenções
Casos de pessoas que passaram anos aguardando julgamento são comuns. Daniel García e Reyes Alpízar, por exemplo, ficaram 17 anos presos antes de serem absolvidos. Maricela Rodríguez, funcionária pública, passou seis anos encarcerada por fraude antes de sua absolvição em 2019. Tania, acusada de sequestro, foi libertada após 12 anos de prisão, enquanto Daniela, que enfrentou três anos de abuso na única prisão federal para mulheres, também foi liberada em 2024.
Essas histórias ilustram a complexidade do sistema judicial mexicano, onde muitos acabam absolvidos após longos períodos de encarceramento. O governo, sob pressão internacional, continua a expandir a lista de crimes que resultam em prisão preventiva, mesmo após uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos que recomenda a eliminação dessa prática.
Desafios do Sistema Judicial
A situação é agravada pela falta de clareza sobre a situação jurídica dos detidos. O secretário de Segurança, Omar García Harfuch, não detalhou as condições legais dos mais de 32.000 presos recentes. A prisão preventiva oficiosa, que permite que os acusados permaneçam encarcerados enquanto aguardam julgamento, se tornou uma prática comum, mesmo com a crescente pressão para reformar o sistema.
O aumento da população carcerária e a quantidade de presos sem condenação revelam a necessidade urgente de reformas no sistema judicial mexicano. As histórias de injustiça e longos períodos de espera por uma sentença são um reflexo de um sistema que ainda luta para equilibrar segurança pública e direitos humanos.
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