- O Ministério Público Federal (MPF) notificou a Caixa Econômica Federal por não responder a intimações sobre poupanças de pessoas escravizadas no século XIX.
- O procurador da República, Julio José Araújo Junior, solicitou informações sobre a catalogação e digitalização do acervo histórico.
- A Caixa admitiu que a catalogação pode levar mais de 20 anos.
- A investigação foi proposta pelo Quilombo Raça e Classe (QRC), que busca entender o papel da Caixa na exploração de africanos escravizados.
- Após a abolição em 1888, os valores poupados foram apropriados pelos proprietários, e o procurador pediu detalhes sobre o destino desse dinheiro.
O Ministério Público Federal (MPF) notificou a Caixa Econômica Federal por não ter respondido a intimações sobre poupanças de pessoas escravizadas no século XIX. O procurador da República, Julio José Araújo Junior, solicitou esclarecimentos sobre a catalogação e digitalização do acervo histórico, além de informações sobre o tratamento adequado desse patrimônio.
Durante uma reunião há um mês, a Caixa admitiu que a catalogação completa pode levar mais de 20 anos. A investigação foi proposta pelo Quilombo Raça e Classe (QRC), que busca entender o papel da Caixa na exploração de africanos escravizados, especialmente em relação à chamada “poupança dos escravizados”. A entidade afirma que a Caixa criou mecanismos que permitiram a escravizados acumular recursos sob a tutela de seus senhores, com a promessa de compra da alforria.
Rosenverck Estrela, membro da direção nacional do QRC, destacou que, após a abolição em 1888, os valores poupados foram apropriados pelos proprietários. Ele enfatiza que, apesar de a Caixa permitir que pessoas escravizadas fossem clientes, a compra de alforrias era rara e, com a abolição, as poupanças foram retidas. O procurador também pediu detalhes sobre o destino desse dinheiro.
A proposta de investigação surge após um inquérito aberto pelo MPF contra o Banco do Brasil em 2023, que investiga suas ligações com o comércio de africanos escravizados. Pesquisadores apontaram vínculos diretos entre traficantes e o capital investido no banco. O BB foi obrigado a apresentar um plano de ações de reparação à população afrodescendente.
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