- Protestos da Geração Z no Nepal resultaram na queda do governo em menos de 48 horas.
- As manifestações, iniciadas em 8 de setembro, causaram 72 mortes e danos significativos ao patrimônio público.
- A nova primeira-ministra interina é Sushila Karki, escolhida após a renúncia do primeiro-ministro KP Sharma Oli.
- Os protestos expressaram descontentamento com corrupção e má gestão, com danos financeiros estimados em 3 trilhões de rúpias nepalesas.
- A mobilização foi impulsionada por um sentimento contra a elite política e a situação se deteriorou rapidamente, levando a confrontos violentos com a polícia.
Protestos da Geração Z no Nepal resultam em queda de governo e 72 mortos
Os protestos da Geração Z no Nepal levaram à queda do governo em menos de 48 horas, resultando em 72 mortes e danos significativos ao patrimônio público. A nova primeira-ministra interina, Sushila Karki, foi escolhida após a renúncia do primeiro-ministro, KP Sharma Oli, em meio a uma onda de insatisfação popular.
As manifestações, que começaram em 8 de setembro, foram as mais violentas em décadas. Edifícios oficiais, residências de políticos e até hotéis de luxo foram incendiados. O impacto financeiro dos danos pode chegar a 3 trilhões de rúpias nepalesas, quase metade do PIB do país, segundo o Kathmandu Post.
Os protestos expressaram um descontentamento profundo com a corrupção e a má gestão dos recursos do estado. Ashish Pradhan, do International Crisis Group, destacou que a destruição poderia ter consequências comparáveis ao terremoto de 2015, que matou quase 9 mil pessoas.
A ativista Tanuja Pandey, uma das organizadoras, afirmou que a vitória dos protestos vem acompanhada de “trauma, arrependimento e raiva”. A mobilização foi impulsionada por um sentimento crescente contra os “nepo babies”, filhos de políticos que exibem riqueza nas redes sociais, enquanto muitos jovens lutam para encontrar trabalho digno.
A Geração Z, que se mobilizou de forma descentralizada e sem líderes claros, viu a situação se deteriorar rapidamente. Inicialmente pacíficos, os protestos se tornaram violentos quando infiltradores provocaram confrontos com a polícia, resultando em uso de gás lacrimogêneo e balas reais.
Após a violência, o ex-chefe da Suprema Corte, Sushila Karki, foi nomeada primeira-ministra interina. A nomeação foi vista como uma esperança para a recuperação política do país, embora a ansiedade sobre o futuro persista. Rumela Sen, especialista em Sul da Ásia, expressou preocupação com a crescente glorificação do exército como símbolo de estabilidade.
As famílias das vítimas enfrentam a dor da perda. O caso de Yogendra Neupane, um jovem de 23 anos que sonhava em ser servidor público, exemplifica o impacto humano dos protestos. Seu pai, Yubaraj Neupane, declarou que a morte do filho deve ser reconhecida como um chamado à mudança.
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