- Mais de 250 manifestações ocorreram em toda a França em 18 de setembro, organizadas por sindicatos contra medidas orçamentárias do governo.
- As greves impactaram setores essenciais, como saúde, educação e transporte, com o metrô de Paris funcionando apenas em horários de pico.
- Os manifestantes pedem o cancelamento dos planos fiscais, mais investimentos em serviços públicos e a revogação da reforma da aposentadoria.
- O Ministério do Interior estima que até 800 mil pessoas participaram dos protestos, que mobilizaram cerca de 80 mil policiais para garantir a segurança.
- O novo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, busca apoio da oposição para um novo plano fiscal, enquanto enfrenta pressão para corrigir um déficit público elevado.
Mais de 250 manifestações foram organizadas por sindicatos em toda a França nesta quinta-feira (18), em resposta a medidas orçamentárias propostas pelo governo do presidente Emmanuel Macron. As greves afetaram setores essenciais, como saúde, educação e transporte, com o metrô de Paris operando apenas em horários de pico e trens regionais paralisados.
Os manifestantes exigem o abandono dos planos fiscais do governo anterior, mais investimentos em serviços públicos e a revogação da reforma que aumenta o tempo de trabalho necessário para a aposentadoria. O Ministério do Interior estima que até 800 mil pessoas tenham participado dos protestos, que fazem parte do movimento denominado “Vamos bloquear tudo”. Para garantir a segurança, cerca de 80 mil policiais foram mobilizados, incluindo tropas de choque e drones.
A nova onda de protestos surge menos de duas semanas após a nomeação do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que busca apoio da oposição para um novo plano fiscal. O governo enfrenta forte pressão para corrigir um déficit público que quase dobrou o limite de 3% estabelecido pela União Europeia. O plano orçamentário anterior, que previa cortes de 44 bilhões de euros, foi rejeitado pelo parlamento, resultando na queda do ex-primeiro-ministro François Bayrou.
Propostas em Debate
O novo primeiro-ministro tenta estabelecer um diálogo com a oposição, que inclui a proposta da “taxa Zucman”, que visa taxar em 2% ao ano fortunas acima de 100 milhões de euros. Essa medida, apoiada por 86% dos franceses, é vista como uma forma de promover justiça fiscal. No entanto, Lecornu e seus aliados de direita se opõem à proposta, enquanto a federação patronal Medef ameaça mobilizar empresários caso os impostos aumentem.
Lecornu, que prometeu “rupturas” em relação aos antecessores, já anunciou a desistência de eliminar feriados e o fim dos benefícios vitalícios para ex-membros do governo. Apesar de se mostrar aberto ao diálogo, ele rejeitou a taxa Zucman, o que pode intensificar os conflitos entre governo e sindicatos. As manifestações de hoje refletem um descontentamento crescente com as políticas fiscais e a necessidade de uma abordagem mais equitativa em relação aos impostos e investimentos públicos.
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