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Ministro do Trabalho atua em investigação sobre trabalho escravo na JBS

Ministro do Trabalho revisa caso da JBS Aves, que pode ser incluída na lista suja de trabalho escravo, após denúncias de abusos em unidade avícola.

Logo da JBS em unidade da empresa em Santa Maria das Barreiras (PA) (Foto: Reprodução)
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  • O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, revisou um caso que pode incluir a JBS Aves na lista suja de trabalho escravo.
  • A investigação revelou que dez trabalhadores estavam em condições análogas à escravidão em uma unidade avícola no Rio Grande do Sul.
  • Fiscais encontraram trabalhadores com turnos de até 16 horas e alojados sem água potável. A empresa contratada aplicou descontos ilegais nos salários.
  • A JBS afirmou ter suspendido a empreiteira responsável e rescindido o contrato.
  • A revisão do caso é considerada inédita em mais de duas décadas, gerando preocupações sobre influências políticas e possíveis precedentes para outras empresas.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, decidiu revisar um caso que pode levar a JBS Aves à lista suja de trabalho escravo. A investigação, que se originou de uma operação federal, revelou que dez trabalhadores estavam em condições análogas à escravidão em uma unidade avícola no Rio Grande do Sul.

Os fiscais encontraram trabalhadores submetidos a turnos de até 16 horas e alojados sem acesso a água potável. Além disso, a empresa contratada para serviços de carga e descarga aplicou descontos ilegais nos salários, dificultando a demissão. A JBS, ao tomar conhecimento das alegações, afirmou ter suspendido a empreiteira e rescindido o contrato.

Normalmente, a inclusão na lista suja resultaria em consequências financeiras severas, como a proibição de obter empréstimos de bancos brasileiros. A JBS, uma das maiores empregadoras do Brasil, com cerca de 158.000 funcionários, reportou uma receita líquida de US$ 2,2 bilhões no segundo trimestre de 2023. A Advocacia-Geral da União (AGU) indicou que a importância econômica da JBS poderia justificar a revisão do caso pelo ministro.

Revisão Sem Precedentes

A decisão de Marinho de revisar o processo é considerada sem precedentes em mais de duas décadas de gestão da lista suja. Especialistas e fiscais expressaram preocupação, afirmando que essa ação pode abrir precedentes para outras empresas solicitarem intervenções semelhantes. Renato Barbedo Futuro, presidente da Agitra, destacou a “profunda estranheza e preocupação” geradas pela medida.

O Ministério do Trabalho não se pronunciou sobre as preocupações levantadas, mas afirmou que o processo está em andamento e que os recursos da JBS estão sob análise. A situação continua a ser monitorada, enquanto o debate sobre a influência política nas decisões de trabalho escravo se intensifica.

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