- Jornaleiros da Praça Arariboia, em Niterói, enfrentam dificuldades após realocação pela prefeitura para um projeto de paisagismo e urbanização.
- Comerciantes relatam perdas de mais de 50% no faturamento e aumento da insegurança.
- Um jornaleiro registrou quatro furtos de fiação desde a mudança e outro teve faturamento diário reduzido a R$ 100,00.
- Custos de adaptação das bancas chegam a R$ 15 mil, incluindo R$ 8 mil para troca de piso.
- A prefeitura não se manifestou sobre as queixas, enquanto a Associação de Proprietários de Bancas de Jornais de Niterói defende a ação como necessária.
Os jornaleiros realocados da Praça Arariboia, em Niterói, enfrentam sérias dificuldades desde a mudança imposta pela prefeitura no início do ano. A gestão municipal justificou a remoção como parte de um projeto de paisagismo e urbanização, mas os comerciantes relatam perdas de mais de 50% no faturamento e um aumento na insegurança.
A equipe de reportagem do GLOBO-Niterói visitou quatro das 12 bancas transferidas e encontrou relatos de insatisfação. Um jornaleiro, que prestava queixa a policiais por um furto, afirmou que, desde a mudança, sua banca sofreu com quatro furtos de fiação e uma queda drástica nas vendas. Em outra banca, a funcionária destacou que o fechamento de um supermercado nas proximidades resultou em um movimento quase nulo, com faturamento diário reduzido a R$ 100.
Os custos de adaptação também têm sido um fardo. Um jornaleiro mencionou um prejuízo de R$ 15 mil para adequar sua banca às exigências da prefeitura, que incluiu a troca de piso por R$ 8 mil. Apesar das promessas de reuniões para discutir compensações, nada foi concretizado. Acusações de que a realocação atende a interesses comerciais de um secretário local também foram levantadas.
Reações da Associação
Adalmir Ferreira, diretor da Associação de Proprietários de Bancas de Jornais de Niterói (Aproban), defendeu a ação da prefeitura, afirmando que os novos locais foram escolhidos em diálogo com os jornaleiros. Ele ressaltou que a prefeitura não pode arcar diretamente com os custos de realocação, que variam em média R$ 15 mil. Ferreira acredita que a adaptação levará tempo, mas que os resultados serão positivos a médio prazo.
A prefeitura, procurada para comentar as queixas, não se manifestou até o fechamento desta edição. A situação dos jornaleiros continua a gerar polêmica, especialmente após a cassação de licenças de bancas na Praça Arariboia, que foram consideradas patrimônio cultural imaterial do município.
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