- Marruecos enfrenta crescente descontentamento social, com manifestações de jovens iniciadas em 28 de setembro em várias cidades, como Rabat e Casablanca.
- Os protestos exigem melhores condições de saúde e educação, além de críticas à corrupção, refletindo a frustração de uma geração com altas taxas de desemprego, especialmente entre os jovens, que chega a 35%.
- As mobilizações são consideradas o maior estopim social desde a Primavera Árabe em 2011, com manifestantes clamando por um país mais justo e serviços públicos de qualidade.
- O reinado de Mohamed VI, desde 1999, é marcado por promessas de modernização, mas a desigualdade persiste, levando os jovens a expressarem desconfiança no sistema político e econômico.
- O governo anunciou a intenção de renovar o Gabinete e aproximar as instituições da sociedade civil, mas muitos jovens duvidam da eficácia dessas medidas diante da insatisfação profunda com a corrupção e desigualdade.
Marruecos enfrenta um crescente descontentamento social, impulsionado por manifestações de jovens que começaram em 28 de setembro. Os protestos ocorrem em várias cidades, como Rabat e Casablanca, exigindo melhores condições de saúde e educação, além de criticar a corrupção. A insatisfação reflete a frustração de uma geração que lida com altas taxas de desemprego, especialmente entre os jovens, onde a taxa chega a 35%.
As mobilizações, que se intensificaram nos últimos dias, são vistas como o maior estopim social desde a Primavera Árabe em 2011. Os manifestantes, que incluem tanto jovens quanto adultos, clamam por um Marruecos mais justo, com serviços públicos de qualidade, em contraste com as luxuosas clínicas e universidades privadas. A frase “menos estadios, mais hospitais” ecoa nas ruas, destacando a insatisfação com os investimentos em grandes obras em detrimento de necessidades básicas.
Contexto Político
O reinado de Mohamed VI, que começou em 1999, é marcado por promessas de modernização, mas também por desigualdade persistente. A população jovem, que não conheceu outro monarca, expressa desconfiança em relação ao sistema político e econômico. Com as eleições legislativas se aproximando em 2026, partidos políticos estão cientes de que o voto da geração Z pode ameaçar sua hegemonia.
Os jovens marroquinos se consideram apolíticos, mas estão cientes de que o sistema atual não oferece oportunidades. “O sistema político e econômico se corrompeu completamente”, afirmam, refletindo um sentimento de frustração. O primeiro-ministro Aziz Ajanuch, que também é membro da família real e proprietário da maior rede de postos de gasolina do país, enfrenta críticas por sua gestão.
Reação do Governo
Diante da crescente pressão social, Mohamed VI anunciou a intenção de renovar seu Gabinete e aproximar as instituições da sociedade civil. No entanto, muitos jovens duvidam de que essas medidas possam conter o mal-estar. A insatisfação com a corrupção e desigualdade é profunda, e a população clama por mudanças significativas. As autoridades ainda não relataram feridos ou detenções, mas a situação continua a se deteriorar, exigindo atenção imediata para evitar um colapso social.
Entre na conversa da comunidade