- Atentado contra o jornalista Sigfrido Ranucci, da Rai, ocorreu na noite de quinta-feira, 16 de outubro, em Campo Ascolano, próximo a Roma; bomba de cerca de um quilo foi colocada sob o carro e explodiu por volta das 22h, atingindo também o veículo da filha; ninguém ficou ferido.
- Ranucci já tinha escolta desde 2021 e enfrenta intimidações e ameaças relacionadas ao seu trabalho; a Polícia de Roma investiga possível método mafioso, com reforço na proteção policial ao jornalista.
- O jornalista informou que o programa Report voltará em breve, com novas investigações programadas para o dia 26 de outubro.
- Reações: a primeira-ministra Giorgia Meloni condenou o ataque e destacou a importância da liberdade de imprensa; o sindicato USIGRAI critica redução do espaço para o Report e aponta clima de intolerância; escritor Roberto Saviano também comentou.
- O caso ocorre em meio a preocupações sobre a liberdade de imprensa na Itália, que hoje ocupa a 49ª posição no ranking da Repórteres Sem Fronteiras, com risco de ameaças de mafiosos e extremistas contra jornalistas.
Um atentado contra o jornalista investigativo Sigfrido Ranucci, da RAI, ocorreu na noite de quinta-feira, 16 de outubro, em Campo Ascolano, próximo a Roma. Uma bomba, com cerca de um quilo de explosivo, foi colocada sob seu carro e explodiu por volta das 22h, danificando tanto seu veículo quanto o da filha, que havia estacionado ao lado momentos antes. Felizmente, ninguém ficou ferido.
Ranucci já contava com escolta desde 2021, após um plano de assassinato relacionado à Ndrangheta ser revelado. O jornalista, que tem enfrentado intimidações e ameaças devido ao seu trabalho, anunciou que o programa Report voltará em breve, com novas investigações programadas para o dia 26 de outubro. A Polícia de Roma investiga o caso, considerando a hipótese de um método mafioso.
Reforço na Segurança
Após o ataque, o Ministério do Interior italiano decidiu reforçar a proteção policial de Ranucci. A bomba tinha potencial para causar danos fatais a qualquer um nas proximidades. O jornalista expressou preocupação em uma entrevista, afirmando que sua filha poderia ter sido morta se estivesse mais próxima no momento da explosão. Ele mencionou também que, nos últimos meses, enfrentou uma série de ameaças, incluindo o achado de balas em sua residência.
A repercussão do atentado gerou uma onda de solidariedade política, com condenações de diversas figuras, incluindo a primeira-ministra Giorgia Meloni, que destacou a importância da liberdade de imprensa. No entanto, o incidente também reacendeu críticas sobre o ambiente hostil enfrentado por Ranucci, que já havia sido alvo de ataques verbais por parte de representantes do governo.
Clima de Intimidação
O sindicato de jornalistas da RAI, USIGRAI, ressaltou que a emissora tem reduzido o espaço para o programa Report e que existe um clima de intolerância em relação ao jornalismo investigativo. O escritor e jornalista Roberto Saviano também se manifestou, afirmando que o ataque a Ranucci reflete uma tentativa de silenciar vozes críticas e inibir a cobertura de temas delicados.
A situação do jornalista destaca um problema mais amplo: a Itália ocupa atualmente uma posição preocupante no ranking de liberdade de imprensa, caindo para a 49ª posição entre os países, segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras. Este cenário é agravado por ameaças de grupos mafiosos e extremistas, colocando em risco a integridade dos jornalistas no país.
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