- Olha que De Schutter apresentará à Assembleia Geral da ONU um relatório defendendo a proteção social universal como investimento essencial.
- O documento diz que políticas de austeridade promovidas por centro-direita e centro-esquerda ampliaram a desigualdade e alimentaram discurso anti-migração.
- Como exemplo, cita o Reino Unido, onde o Reform UK, de Nigel Farage, tem ganhado força nas pesquisas, além de menções a Alemanha, Holanda e França.
- O relatório sustenta que investir em bem-estar reduz a sensação de insegurança e que o acesso a recursos sociais tem ficado mais restrito, criando divisões.
- Também aponta estudo de 2021 que relaciona aumento da desigualdade com crescimento do apoio a partidos populistas; políticas que elevam salários mínimos e benefícios sociais podem reduzir esse apoio, e migrantes contribuem mais para os sistemas fiscais do que recebem em benefícios.
Décadas de cortes em programas de bem-estar social têm alimentado o crescimento do extremismo e do populismo em diversos países, conforme aponta o especialista da ONU, Olivier De Schutter. Em um relatório a ser apresentado à Assembleia Geral da ONU, De Schutter defende a proteção social universal como um investimento essencial para a sociedade.
O especialista destaca que políticas de austeridade promovidas por partidos de centro-direita e centro-esquerda resultaram em um aumento da desigualdade. Essa situação gera um clima de escassez e desconfiança, propenso a discursos anti-migração. De Schutter menciona exemplos como o Reino Unido, onde o partido Reform UK, de Nigel Farage, tem ganhado força, ultrapassando os conservadores nas pesquisas.
Impacto na Sociedade
De Schutter argumenta que a falta de investimento no estado de bem-estar social contribui para a sensação de insegurança entre a população. “Se fizéssemos mais, as pessoas não se sentiriam ameaçadas”, afirma. O relatório explica que o acesso a recursos sociais tem sido cada vez mais restringido, criando uma narrativa de que os benefícios devem ser limitados a um grupo específico, fomentando divisões.
O especialista também cita um estudo de 2021 que correlaciona o aumento da desigualdade de renda com o crescimento do apoio a partidos populistas. Em contrapartida, políticas que elevam salários mínimos e benefícios sociais têm mostrado potencial para reduzir esse apoio. De Schutter observa que a retórica populista frequentemente ignora o fato de que migrantes contribuem mais para os sistemas fiscais do que recebem em benefícios.
Desafios Futuros
A análise de De Schutter aponta que a ascensão de partidos populistas, como o Alternativa para a Alemanha e o National Rally na França, está ligada a regiões com altos níveis de insegurança econômica e serviços públicos deficientes. Ele alerta que, uma vez no poder, esses partidos tendem a desmantelar ainda mais as redes de proteção social.
O relatório visa alertar sobre a necessidade de repensar a importância dos programas sociais, enfatizando que investir neles é crucial para evitar a fragmentação da sociedade em grupos que competem por recursos escassos.
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