- A Polícia Federal identificou movimentações financeiras de cerca de R$ 3 milhões nas contas de dois servidores da ANM e de seus familiares, no mesmo período em que teriam atuado para favorecer a mineradora Empabra na Serra do Curral, em Minas Gerais.
- Em depoimentos, os servidores negaram ter recebido pagamentos de mineradoras e disseram que as ações foram embasadas em laudos técnicos.
- Um dos investigados, Leandro César Ferreira de Carvalho, ex-gerente da ANM em Minas, foi preso na Operação Rejeito; a esposa dele recebeu cerca de R$ 2 milhões em espécie entre 2023 e 2025, com pagamentos de boletos em nome do marido. Ele afirma guardar dinheiro por segurança e nega favorecimento à mineradora.
- O outro servidor, Claudinei Oliveira Cruz, movimentou R$ 1,1 milhão entre fevereiro de 2022 e fevereiro de 2023; a esposa dele recebeu R$ 121 mil em depósitos fracionados. Ele disse que as ações estavam baseadas em pareceres técnicos prévios da ANM.
- A PF aponta indícios de contrapartidas ilícitas e vincula as investigações à Operação Parcours, que apura exploração ilegal da mina na Serra do Curral pela Empabra; a área foi interditada pela prefeitura em 2024.
A Polícia Federal identificou movimentações financeiras suspeitas de cerca de R$ 3 milhões nas contas de dois servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM) e de seus familiares. As operações ocorreram enquanto os servidores atuavam para favorecer uma mineradora que explorou ilegalmente uma área tombada em Minas Gerais, na Serra do Curral.
Os investigadores apontam indícios de contrapartidas ilícitas associadas às atividades dos funcionários. A PF destacou depósitos em espécie na casa da esposa de um dos servidores, além de pagamentos de boletos em nome dele. Os relatos indicam uso de dinheiro vivo por supostas razões de segurança, conforme depoimentos.
Leandro César Ferreira de Carvalho, ex-gerente da ANM em Minas, foi preso em setembro na Operação Rejeito. A apuração envolve anotações com nomes de senadores, o que levou o caso ao STF. A PF sustenta que ele atuou para induzir a Justiça Federal ao erro, em relação à Mina Corumi.
Claudinei Oliveira Cruz, outro servidor, movimentou aproximadamente R$ 1,1 milhão entre 2022 e 2023. Também haveria depósitos fracionados na conta de sua esposa, segundo a investigação. Em depoimento, Claudinei negou recebimentos de valores de empresas ligadas ao setor.
Contexto e desdobramentos
A PF vincula as movimentações a uma rede que teria omitido informações sobre a exploração ilegal na Serra do Curral pela mineradora Empabra. A Operação Parcours, anterior, também envolve o tema e foi enviada ao STF, dada a conexão entre os casos.
A EMPABRA informou que não tem comentário sobre as movimentações financeiras e reiterou que suas atividades foram autorizadas por órgãos competentes. A defesa de Franceschini afirmou desconhecer irregularidades, enquanto Bruno Luciano, sócio indireto, afirmou não ter feito parte da gestão na época.
A investigação aponta que a empresa, após ser acionada para recuperação ambiental, continuou atividades no local, o que, segundo a PF, configuraria violação de normas e de diretrizes de proteção ambiental. A prefeitura de Belo Horizonte interrompeu atividades na Mina Corumi em 2024, mas a decisão foi suspensa na Justiça.
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